
Michael Warsaw, vice-presidente de design e marketing da Johnson Controls, demonstrou no domingo, na abertura do Salão do Automóvel de Detroit à imprensa, como a empresa combina tecnologias de forma criativa e muda paradigmas para mostrar sua visão sobre a concepção de um carro compacto.
O Salão do Automóvel de Detroit iniciou no Cobo Center, no domingo, 11, uma sequência de três dias dedicados a entrevistas e à visita de jornalistas. Apesar dos problemas enfrentados pelo setor automotivo norte-americano o salão deve manter o status de um dos principais eventos do gênero no mundo. Permitirá, especialmente, uma melhor avaliação da situação e reunir propostas de ação, embora ainda não se saiba em que medida os principais dirigentes estarão dispostos a aprofundar o debate. A crise evoluiu tão depressa que nem mesmo deu tempo às montadoras locais de arrumar a casa e consolidar os planos de reestruturação de operações, sistemas de gestão, tecnologias e produtos. Depois das coletivas de imprensa haverá a visita prévia dos profissionais que trabalham na indústria automobilística, dias 14 e 15. O tradicional charity preview acontece em grande estilo dia 16, com traje de gala. As portas estarão abertas ao público em geral de 17 a 25 deste mês. Montadoras como Roll-Royce, Suzuki, Land Rover, Ferrari, Mitsubishi e Nissan decidiram não participar, abrindo espaço para as chinesas BYD Auto e a Brilliance Jinbei Automotive. Saiba mais em www.naias.com.
Desafios que o Salão reserva
Visitar o Salão do Automóvel de Detroit para brasileiros é algo que vai além do desafio de garantir o visto no passaporte. Partindo do Brasil, é preciso fazer conexão em um aeroporto como o de Miami ou Nova York para aterrissar na capital do automóvel. O frio será intenso. Segundo previsão do Google, a temperatura cai abaixo de 16 graus na quarta-feira, quando os profissionais do setor terão acesso exclusivo à exposição. Nas dependências da mostra, climatizadas, nada indica que a temperatura dos negócios subirá este ano, quando acontecem recordes negativos no baixo astral da economia e do mercado automotivo norte-americano. O desemprego no país avança para 7,2% da força de trabalho e as estatísticas mostram que as vendas de automóveis caíram para a casa das 13 milhões de unidades em 2008 – algo impensável até recentemente. GM e Chrysler já botaram a mão em boa parte do socorro de US$ 17,4 bilhões dos cofres do Tesouro, mas estão longe de encontrar uma solução para seus problemas. Segundo a Agência Estado, o principal executivo da General Motors disse ontem que os US$ 13,4 bilhões que a empresa recebeu em socorro do governo americano serão suficientes para a companhia atravessar o primeiro trimestre deste ano. Ele disse que em março a GM avaliará se precisará pedir mais dinheiro ao governo.
Estréias globais no Salão
Há mais de vinte veículos fazendo estréia global no salão, entre cerca de sessenta novidades. A exposição mostra que os carrões ainda fazem parte do menu e continuarão sendo uma opção oportuna para os fabricantes ajustarem o caixa enquanto o preço do barril de petróleo dá uma trégua na conta dos combustíveis. Há também uma boa dose de carros compactos, conceitos, projetos de carros menos poluidores e mais eficientes. O futuro aponta também para veículos híbridos ou puramente elétricos. Estão em destaque o novo Prius (híbrido da Toyota) e seu novo concorrente, o Honda Insight, o novo Taurus, o Toyota Camry 2010, o crossover SRX da Cadillac e o Equinox, da General Motors. Os novos powertrains ficarão em primeiro plano nas vitrines, ainda que seja para mostrar empenho em chegar ao carro verde. Carros compactos, econômicos, híbridos ou elétricos, ganham espaço nos estandes e nos jornais, enquanto parte das discussões se concentrará na viabilidade dos biocombustíveis, como o etanol de milho e de seu principal concorrente: o nosso álcool de cana-de-açúcar. O novo presidente, Barak Obama, será pressionado a cobrar mudanças radicais na atitude das montadoras – e ele já demonstrou, como senador, envolvimento com questões como aquecimento global, preservação do meio ambiente e desperdícios no setor automotivo.
Chrysler mostra projetos de carros elétricos
A Chrysler exibe no Salão do Automóvel de Detroit o resultado de seus esforços para chegar ao veículo elétrico. A linha inclui a minivan Chrysler Town & Country EV, Jeep Wrangler Unlimited EV e o Jeep Patriot EV – além de um Dodge Circuit EV plug in (elétrico, recarregável na tomada), o carro conceito elétrico Lotus Exige com autonomia para 150 a 200 milhas. A montadora informou que pretende colocar pelo menos um de seus veículos elétricos em produção até 2010. Outros três entrariam nas linhas de montagem por volta de 2013.