De fato, olhando doze meses para trás a economia brasileira estava em plena expansão devido aos estímulos fiscais e monetários utilizados pelo Governo Federal para suplantar os efeitos da crise internacional no país. Exatamente neste período as medidas foram retiradas, porém a combinação das eleições presidenciais e a irresponsabilidade do aumento dos gastos do governo lulista contaminaram com agressividade o equilíbrio dos preços na economia.
Medidas chamadas de macroprudenciais foram as apostas da autoridade monetária em substituição a elevação da taxa de juros, mas demonstraram ser inócuas devido a propensão dos brasileiros ao consumo. A tendência é favorecida pelo mercado de trabalho aquecido, pelas pressões nos preços das commodities e alimentos no mercado doméstico e internacional e, por fim, pela falácia da redução dos gastos do governo na ordem de R$50 bilhões anunciados no primeiro bimestre. O resultado desta dinâmica veio na alta do IPCA, que está está acelerado desde outubro de 2010.
Para o Governo, o horizonte temporal para que estas medidas surtissem efeito seria de pelo menos três meses. Com base em novembro de 2010, março seria o divisor de águas para que os preços se ajustassem a meta do Banco Central, mas o sinal que estava amarelo foi para o vermelho.
Simbolismo à parte é válido afirmar que a inflação derrotou as medidas macroprudenciais. Além disso, a inflação derrotou também o Governo. O principal interessado na implantação das medidas macroprudenciais foi o Governo Federal em detrimento da cartilha seguida pari passu do Banco Central na gestão do Henrique Meirelles no combate dos preços com os juros.
Essas medidas geridas pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, nas entrelinhas, podem ser lidas como o viés político que o mercado vem sinalizando nas decisões do BACEN. Poucos dias antes da terceira reunião do Copom, marcada para 19 e 20 de abril, a decisão quanto à elevação é certa, a dúvida é de quanto. Se o Comitê de Política Monetária permanecer passivo quanto aos preços a alta deverá ser de 0,25%. Se for contrário ao viés político precificado pelo mercado, a alta deverá situar-se entre 0,50% a 0,75%, com a taxa Selic caminhando para 12,25% ou 12,50% ao ano.
Preocupados com a não convergência dos preços, os grandes perdedores deverão ser os bancos. Tomados em carteira de crédito para o consumo, a alocação das suas carteiras deverá implicar em perdas com as medidas restritivas de crédito e da alta dos juros. Neste ambiente, os economistas dos grandes bancos parecem falar a mesma língua: ajuste hoje, para crescer depois. Fazendo uma leitura de outra maneira: perder ou ganhar menos hoje, para ganhar depois.
Está no momento de o Banco Central passar a conta para o Governo Federal, recuperar a confiança depositada contra o combate inflacionário e minimizar os ruídos da economia. De maneira geral, vale o conselho para o Governo Dilma: em toda a história econômica a inflação derrotou governos.