A matriz das companhias americanas ou européias tem ido mais longe. Comandando a operação global, remaneja o mapa da sua produção no planeta e define os mercados que serão privilegiados. Uma empresa paulista, por exemplo, pode do dia para a noite perder clientes no exterior, que passarão a serem atendidos diretamente pela matriz, ou deixar de fabricar uma linha de produtos que concorre com o portifólio da matriz.
Se lembrarmos que as principais empresas fabricantes de componentes para a indústria automobilística situadas no Brasil são multinacionais, de capital estrangeiro, dá para entender com maior clareza porque as matrizes são, de fato, um problema que deixa arrepiados até os dirigentes do Sindipeças, a entidade do setor.
A situação quase maquiavélica incomoda. De uma hora para outra as empresas brasileiras são praticamente espoliadas de seus mercados e recursos – algo de fazer inveja à corte portuguesa antes da nossa independência.
Paulo Butori, presidente do Sindipeças, alerta que há outras faces de protecionismo em jogo, em níveis nacionais. Se o presidente da França condiciona a concessão de verbas à indústria automobilística apenas para beneficiar as empresas locais e os Estados Unidos incentivam o buy american, o que fará o Brasil? Estimular a liberdade de mercado? A questão agita também a entidade dos fabricantes de autopeças, que se preocupa agora com os próximos passos das negociações com a Argentina.
O dirigente afirma que o governo precisa adotar algum controle sobre as importações de autopeças e ressalta que a fórmula deve ser estudada de forma a não prejudicar a atividade industrial. A sugestão dele é a exigência de uma licença antecipada para compras no exterior de sessenta dias, depois de estudos para indicação da lista de componentes a ser controlada. “Nada deve ser feito da noite para o dia” – advertiu.