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A mobilidade só será viável se for compartilhada, sustentável e inclusiva

Para Waze e 99, a preocupação com o aspecto financeiro é fundamental para democratizar o acesso dos usuários ao compartilhamento de veículos
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Zeca Chaves

06 dez 2021

3 minutos de leitura

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Pouca gente duvida que o futuro da mobilidade esteja no compartilhamento dos veículos, que ajudará a retirar carros das ruas, reduzir congestionamentos e melhorar a qualidade de vida. Mas só isso não basta. É preciso que também seja ambientalmente sustentável – e aqui os carros elétricos têm um papel importante para limpar o ar das grandes cidades – e é fundamental que esteja acessível ao maior número de pessoas, independentemente da condição social e financeira.

“O ponto mais importante é pensar numa maneira que seja inclusiva e que sirva para todos, pensar uma mobilidade de alta qualidade e com um preço que democratize de verdade o acesso aos consumidores”, explicou Leandro Espósito, Country Manager do Waze, no painel “Até onde a mobilidade compartilhada vai crescer?”, no evento online #ABX21.

Espósito deu como exemplo a iniciativa do Waze Carpool, no qual o motorista pode compartilhar seus trajetos rotineiros e, assim, receber uma ajuda de custo a quem ele der carona. Isso servirá ao mesmo tempo de estímulo e compensação, lembrando que há uma ferramenta que controla o volume das caronas para que não se torne uma atividade profissional. “Para nós é importante que as pessoas sejam parte da solução na mobilidade”, diz.

Diogo Souto Maior, diretor de políticas públicas da 99, também acredita que a mobilidade precisa ser uma rede integrada e inteligente, acrescentando que a automação, a eletrificação e o compartilhamento serão a base para a evolução da mobilidade no futuro, até para ajudar na inclusão de mais pessoas ao sistema.

“Para nós na 99, a experiência e a conveniência estão na base de tudo, mas eu somaria a questão financeira para proporcionar acesso do público. Crescemos bastante dentro da Classe C em São Paulo e no Rio, só para dar dois exemplos. Queremos, assim, oferecer oportunidades para todo mundo.”

Os dois executivos reforçam que a grande vantagem de desenvolver essa rede integrada e inteligente é que ela também serve para encontrar soluções em momentos de necessidade, como ocorreu no auge da pandemia, quando quase todas as viagens compartilhadas cessaram de uma hora para outra por medo de contágio do novo coronavírus. 

“Acabamos lançando o 99 Entrega para as pessoas que tinham uma nova necessidade, como buscar um documento ou uma chave, e não queriam sair de casa por medo da Covid”, contou Souto Maior, ressaltando que as duas pontas ganharam com isso, porque o novo serviço de entrega passou a compensar para os motoristas parceiros a renda perdida com as viagens tradicionais.

Espósito também elencou as ações da Waze que nasceram impulsionadas pela necessidade da pandemia. Algumas surgiram por iniciativa da plataforma, como tornar públicos os dados de locomoção geral, para que todos soubessem como estavam os índices de mobilidade nas cidades. Também foi criada uma funcionalidade de retirada de produtos na loja ou em drive thru sem custo adicional para as empresas parceiras, que podiam fazer essa marcação nos mapas gratuitamente, indicando se havia um desses serviços nos seus estabelecimentos. 

Houve, porém, ações que só foram possíveis por causa da colaboração dos próprios usuários. “Nossa comunidade de editores de mapa, que são o coração do Waze, começou a marcar pontos de interesse como centros de testagem e hospitais, para que as pessoas tivessem a informação mais correta naquele momento tão importante”, comentou o executivo.