
A Nova GM nasce em tempo recorde com a decisão do juiz Robert Gerber, da US Bankruptcy Court de Nova York, que aprovou a venda dos ativos valiosos da velha GM para a NGMCO, entidade constituída pelo Departamento do Tesouro norte-americano.
A NGMCO terá seu nome modificado para General Motors Company (a ‘nova GM’) e continuará a operar sob o histórico corporativo da GM e suas marcas.
A ‘velha GM’ mudará seu nome para Motors Liquidation Company, cujos ativos serão descartados ou vendidos, sob a responsabilidade de um novo grupo de diretores supervisionado pela Bankruptcy Court (corte de concordatas).
A empresa emergente terá como controladores:
• Departamento do Tesouro dos EUA: 60.8%
• UAW Retiree Medical Benefits Trust: 17.5%
• Governo do Canadá e Ontário: 11.7%
• Credores: 10%
A nova GM terá sede em Detroit, tendo como CEO e presidente Fritz Henderson. O chairman será Edward Whitacre.
19,7% do mercado
Há controvérsias sobre as reais possibilidades de sucesso da nova empresa, que entrega 60,8% de participação ao governo (que foi decisivo na condução da reestruturação) em troca de US$ 50 bilhões.
A Nova GM espera atingir o ponto de equilíbrio financeiro quando as vendas nos Estados Unidos voltarem ao nível de dez milhões de veículos leves por ano. Em 2009 a soma total de emplacamentos no país, incluindo pesados, não deve atingir esse volume.
Este ano as vendas da montadora já caíram cerca de 40%. A participação da empresa nas vendas, que foi de 51,1% em 1962, está na casa dos 19,7%.
Nova versus velha GM
A velha GM tinha US$ 172,8 bilhões em dívidas, 47 fábricas, 91 mil trabalhadores e cerca de seis mil revendas.
A nova GM reduziu a dívida para US$ 48,4 bilhões, fechou 13 fábricas, pretende reduzir para 3.600 as concessionárias e fechar 27 mil postos de trabalho.
Nova cultura, velhos executivos?
Enquanto há uma lista de promessas públicas de mudança, a administração da Nova GM preserva executivos da velha guarda, que acompanharam a empresa até próximo da bancarrota. É o caso do próprio CEO Fritz Henderson.
Com alguns de seus atuais diretores no comando a GM praticamente queimou US$ 40 milhões nos últimos quatro anos e registrou prejuízos de US$ 82 bilhões.
Bob Lutz, responsável pelo desenvolvimento de produto que estava saindo da empresa e anunciou a aposentadoria, está de volta para comandar chefes de marcas, marketing, propaganda e comunicação. Ele se reportará a Henderson.
Uma nova cultura com velhos executivos é possível? – perguntou a influente revista Automotive News em edição recente. O principal executivo da publicação, Keith Crain, chamou a empresa de Government Motors, já que o governo detém a maior parte do capital.
Krain demonstrou visível irritação com a ingerência da administração Obama nos assuntos internos da empresa e na reformulação da administração.
Mudanças rápidas
Henderson, por outro lado, garante que a velha forma de fazer negócios acabou na empresa. Ele adverte que sua equipe deve estar preparada para mudanças, e rápido.
O Automotive Strategy Board e o Automotive Product Board serão substituídos por um comitê enxuto, que se reunirá semanalmente para avaliar questões relativas a resultados, produtos, marcas e consumidores.
A Nova GM passa a concentrar a atenção nas marcas Chevrolet, GMC, Cadillac e Buick. Estão sendo negociadas a Hummer, Saab e Saturn, além da Opel e Vauxhall na Europa, que poderão ter ainda uma participação da montadora norte-americana.
Henderson afirmou que a GM planeja lançar dez novos veículos nos Estados Unidos e outros dezessete em outros países. Nessa conta ele certamente inclui o Mercosul, onde a marca prepara o lançamento do hatch Agile, que será produzido em Rosário, na Argentina, e terá versões desenvolvidas no Brasil.