Mas o que seria socializar as perdas? De forma simples, nada mais é do que “dividir” o custo das perdas com os demais entes da sociedade: governo e cidadãos. E desde então, o “fardo” é maior para as pessoas comuns, pois são os membros mais frágeis da estrutura social. E convenhamos, desde quando os governos também deixam de ganhar? Se o mercado socializa as perdas e o governo repassa a conta, sobra para os cidadãos à conta final. Injustiça.
Vejamos então este sintoma de perto, nos arredores dos países europeus em que o meridiano de greenwich os cortam. Após o calote consentido da Grécia, uma onda especulativa gigantesca veio a inundar a Itália e a Espanha. Poderia ser considerado mais um daqueles comentários jornalecos do tipo: qual o próximo país será a bola da vez…
Infelizmente, o que estamos vendo nos ataques recentes contra o mercado da dívida italiana e espanhola é a socialização das perdas que os grandes bancos e demais instituições financeiras, como os hedge funds, tiveram com o pacote de auxílio da Grécia. No plano de socorro grego foi imposta redução considerável da dívida às instituições financeiras privadas. Impositivamente o FMI, a Alemanha e a França disseram para o mercado: metade da dívida grega em suas mãos se tornará pó. Conforme divulgado, cerca de 37 bilhões de euros sairão de uma “contribuição voluntária” dos bancos credores, enquanto que 12 bilhões de euros consistirão em amortizações da dívida no mercado.
E quem disse que o mercado seria o mocinho cheio de caridade para aceitar as perdas sem contrapartidas? Mal finalizou o plano de ajuda à Grécia, os boatos do desalinhamento entre o tamanho da dívida e a capacidade de pagamento, obscureceram os céus romanos e madrilenos. E como efeito, a Itália e a Espanha foram penalizadas com juros nos arredores dos 7,0% para a rolagem da dívida. Para as economias maduras são juros estratosféricos e insustentáveis e, nota-se, todos os países que ultrapassaram a linha dos juros de 7,0% entraram na rota do default, vide Portugal e Grécia.
De fato, os governos italiano e espanhol possuem certa responsabilidade em relação ao desalinhamento das suas estruturas de endividamentos. Os governos têm sua parcela de culpa! As ondas especulativas contra a Itália e a Espanha mostraram um mercado inescrupuloso, com uma voracidade nas taxas de juros avassaladoras, pondo de joelhos os dois países ao deleite do mercado. Logo, então, conheceremos os planos de ajustes da Itália e da Espanha e como sempre, socializaram a conta com os teus cidadãos, cada vez mais pobres.