Pode parecer exagero prever que isso venha ocorrer neste lado do Atlântico, mas não podemos ficar com os braços cruzados como os industriais da Alemanha e a França que viram desaparecer a sua capacidade de fazer frente ao atual “blitzkrieg” dos produtos asiáticos.
Não podemos repetir semelhante erro. Precisamos pressionar os nossos constituintes, como os sindicalistas o fizeram com o Lula.
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A volta do idiota
Dez anos atrás Plínio Apuleyo Mendoza (Colômbia, 1932) , Carlos Alberto Montaner (Cuba, 1943) e Álvaro Vargas Llosa (Peru, 1966) escreveram o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que se apegavam a mitos políticos ultrapassados. A espécie dos “idiotas”, diziam então, era responsável pelo sub-desenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente de justiça social, paixão pelo regime do “homem forte” em lugar da lei – tinham origem, na opinião dos autores, num complexo de inferioridade.
Agora o idiota latino-americano está de volta com suas idéias nacionalistas e populistas ressurgindo com força na América Latina. É o que denuncia o livro A Volta do Idiota (Odisséia Editorial, 2007), ao analisar os regimes de Hugo Chávez e Evo Morales, legítimos representantes de uma esquerda “carnívora”. Mas o livro também aponta os erros cometidos e os riscos apresentados pela esquerda “vegetariana” que assumiu o poder no Brasil, no Peru e no Uruguai – muitas vezes com o apoio de intelectuais e políticos europeus, e mesmo norte-americanos. Em contrapartida, os autores apresentam experiências bem-sucedidas de paises que optaram por estratégias liberais de crescimento, como o Chile.
A leitura deste livro é uma vacina contra a idiotice.
Transcrevi na integra a contra-capa do livro que usei como titulo do meu artigo, pois necessitamos de muita vacina contra a importação dessa idéia (na Europa também há idiotice) de criar emprego através da redução da jornada de trabalho, que hoje nos ameaça através da PEC 393/01, e pelo fim da dispensa imotivada como se determina na Convenção 158 da OIT, que o Governo encaminhou em 15/02/08 ao Congresso para ratificação.
Embora já exista ação sendo concatenada pela CNI e pelas suas Federações de Indústria, com total apoio dos Sindicatos patronais contra tal medida, que viria a engessar mais a nossa tão arcaica legislação trabalhista é oportuno aliar o fato de que essas duas iniciativas das lideranças sindicais, pressionando e agora já contando com o apoio do Governo, nos lembra o que o livro descreve como seqüelas póstumas de uma antiga e crônica doença da esquerda “carnívora”, brilhantemente abandonada por Bachelet no Chile e que parecia também o estar sendo por Lula, até o evento deste episódio.
Os nossos esquerdistas “vegetarianos” pareciam haver aprendido que os investimentos estrangeiros são desejáveis, porque sem seus capitais não se gera riqueza. Mas parece que, por parte de nossos governantes e líderes sindicais, permanecem preconceitos de ordem ideológica que vão seguir impedindo avançar nossa economia para resultados melhores.
Restringir a liberdade de demitir é um desestímulo a liberdade de contratar.
O que mais lamentamos é que já era notável a evolução do atual mercado de trabalho, rumo a criação de emprego formal, com toda a proteção legal ao trabalhador. A imposição de barreiras laborais, do porte como as que se pretendem, será uma marcha ré na tendência. Quem, de sã consciência, vai assinar carteira de trabalho nessas condições?
Como vamos atrair capital externo se estamos criando um ambiente que mais e mais nos aproxima do sistema laboral dos franceses? Foi adotando a redução da jornada e a Convenção 158 que a França viu sua força competitiva entrar em forte declínio dentro e fora da União Européia, enquanto vê aumentar uma verdadeira ditadura das centrais sindicais, nas empresas de gás e eletricidade, nos portos, na educação, nos transportes e nas esferas da administração pública.
Hoje sabemos que empresas francesas, atraídas por mão de obra qualificada, flexível e menos custosa, estão investindo fortemente na Polônia, República Tcheca e Romênia, algo impensável há dez anos.
Agora o idiota latino-americano está de volta com suas idéias nacionalistas e populistas ressurgindo com força na América Latina. É o que denuncia o livro A Volta do Idiota (Odisséia Editorial, 2007), ao analisar os regimes de Hugo Chávez e Evo Morales, legítimos representantes de uma esquerda “carnívora”. Mas o livro também aponta os erros cometidos e os riscos apresentados pela esquerda “vegetariana” que assumiu o poder no Brasil, no Peru e no Uruguai – muitas vezes com o apoio de intelectuais e políticos europeus, e mesmo norte-americanos. Em contrapartida, os autores apresentam experiências bem-sucedidas de paises que optaram por estratégias liberais de crescimento, como o Chile.
A leitura deste livro é uma vacina contra a idiotice.
Transcrevi na integra a contra-capa do livro que usei como titulo do meu artigo, pois necessitamos de muita vacina contra a importação dessa idéia (na Europa também há idiotice) de criar emprego através da redução da jornada de trabalho, que hoje nos ameaça através da PEC 393/01, e pelo fim da dispensa imotivada como se determina na Convenção 158 da OIT, que o Governo encaminhou em 15/02/08 ao Congresso para ratificação.
Embora já exista ação sendo concatenada pela CNI e pelas suas Federações de Indústria, com total apoio dos Sindicatos patronais contra tal medida, que viria a engessar mais a nossa tão arcaica legislação trabalhista é oportuno aliar o fato de que essas duas iniciativas das lideranças sindicais, pressionando e agora já contando com o apoio do Governo, nos lembra o que o livro descreve como seqüelas póstumas de uma antiga e crônica doença da esquerda “carnívora”, brilhantemente abandonada por Bachelet no Chile e que parecia também o estar sendo por Lula, até o evento deste episódio.
Os nossos esquerdistas “vegetarianos” pareciam haver aprendido que os investimentos estrangeiros são desejáveis, porque sem seus capitais não se gera riqueza. Mas parece que, por parte de nossos governantes e líderes sindicais, permanecem preconceitos de ordem ideológica que vão seguir impedindo avançar nossa economia para resultados melhores.
Restringir a liberdade de demitir é um desestímulo a liberdade de contratar.
O que mais lamentamos é que já era notável a evolução do atual mercado de trabalho, rumo a criação de emprego formal, com toda a proteção legal ao trabalhador. A imposição de barreiras laborais, do porte como as que se pretendem, será uma marcha ré na tendência. Quem, de sã consciência, vai assinar carteira de trabalho nessas condições?
Como vamos atrair capital externo se estamos criando um ambiente que mais e mais nos aproxima do sistema laboral dos franceses? Foi adotando a redução da jornada e a Convenção 158 que a França viu sua força competitiva entrar em forte declínio dentro e fora da União Européia, enquanto vê aumentar uma verdadeira ditadura das centrais sindicais, nas empresas de gás e eletricidade, nos portos, na educação, nos transportes e nas esferas da administração pública.
Hoje sabemos que empresas francesas, atraídas por mão de obra qualificada, flexível e menos custosa, estão investindo fortemente na Polônia, República Tcheca e Romênia, algo impensável há dez anos.
Redação AB
06 mar 2008
4 minutos de leitura
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