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Abastecimento na entressafra preocupa usineiros

Os usineiros estão preocupados com a exigência de terem de colocar no mercado no período de entressafra, de fevereiro a abril, o álcool estocado com recursos da linha de financiamento lançada pelo governo no Plano Safra. De acordo com o diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, provavelmente é esse movimento que ocorrerá no início do próximo ano, pois, com a oferta menor, os preços tendem a subir. “Mas seria bom para o produtor não ter essa obrigação”, disse.
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Redação AB

11 jun 2010

3 minutos de leitura

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Para Pádua, a obrigatoriedade pode resultar em uma queda dos preços justamente em um período do ano em que o produtor tenta equilibrar suas contas em função de preços mais baixos verificados meses antes por conta do excesso de oferta. Mas é exatamente isso o que o governo quer. O intuito é o de que, com a linha de financiamento lançada para a estocagem do etanol, os preços não caiam tanto no momento da safra. Isso porque o produtor terá a oportunidade de armazenar o combustível e esperar um momento melhor do mercado para a venda. Com isso, os preços tendem a cair menos.

Na outra ponta, no momento de menor oferta do mercado, na entressafra, o governo determina que os estoques sejam desovados, o que seria uma barreira para a disparada dos preços. A intenção é, com isso, evitar esses dois momentos de maior volatilidade.

O temor do diretor da Unica é o de que, com a data marcada para a chegada dos estoques ao mercado, o preço despenque. “Vai correr o risco para quê?”, questionou. Segundo ele, se o mercado estiver com tendência de alta, naturalmente os usineiros disponibilizarão seu produto.

De um modo geral, Pádua avaliou como positivo o programa de warrantagem lançado pelo governo. Em 27 de maio, o Conselho Monetário Nacional instituiu a linha de crédito para estocagem de etanol combustível, lastreada em recursos do BNDES. A principal mudança do ano passado para este ano foi a redução da taxa de juros de 11,25% ao ano para 9% ao ano. “Os juros estão compatíveis”, considerou. Esta semana, no lançamento do Plano Safra, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, anunciou que o volume de crédito seria de R$ 2,4 milhões.

Em 2009, apenas R$ 30 milhões da linha, que teve um total de R$ 2,3 bilhões, foram sacados pelos produtores. Além do quadro de situação economicamente complicada dos usineiros, a exigência de garantias e o juro, considerado alto, inibiram a tomada de crédito. Para este ano, o diretor da Unica está mais otimista com o acesso dos produtores à linha. Além da redução dos juros, houve aumento do preço do litro do etanol pago pelo governo no financiamento. De R$ 0,70 no ano passado, agora será de R$ 0,75 para o hidratado e de R$ 0,83 para o anidro.

A garantia a ser apresentada pelo produtor, de apresentar 1,5 vez a quantidade de litros equivalente ao que tomar para construir os tanques é considerada exagerada. Assim, para construir um armazém de 100 litros, por exemplo, o usineiro terá de comprovar que possui produção de 150 litros. “Isso está pesado ainda”, comentou.

Apesar dos produtores estarem mais capazes de tomar recursos agora, com a melhora do quadro mundial e com o aumento do preço do açúcar, a garantia pode ser mais uma vez um entrave para que os recursos fiquem estacionados com o governo, segundo Pádua.


Fonte: Célia Froufe, Agência Estado.