
“A um mês do fechamento do primeiro semestre, com os resultados obtidos, já podemos antecipar que as associadas não terão chances de chegar as 150 mil unidades. Esperamos ao menos repetir o desempenho de 2012, ano em que comercializamos cerca de 130 mil carros, considerando as cotas de importação já confirmadas para as marcas habilitadas no Programa Inovar-Auto e as importações extras”, declarou Visconde.
-Veja aqui os dados da Abeiva.
RESULTADOS
De janeiro a maio deste ano, as importadoras da Abeiva anotaram queda de 24,9% em suas vendas na comparação com o mesmo período do ano passado, para 44,9 mil veículos emplacados. Somente em maio último, quando foram comercializados 9,5 mil carros importados, a queda foi de 22,6% sobre o mesmo mês de 2012, que fechou com 12,3 mil unidades. No comparativo entre os meses de maio e abril deste ano, a desaceleração foi de 13,6%.
Enquanto isso, as vendas no mercado interno (emplacamento total de automóveis no Brasil) seguiram em caminho contrário, com crescimento de 9,5% em maio sobre o mesmo mês do ano passado, chegando a 300,6 mil unidades. De janeiro a maio, o mercado interno somou 1,4 milhão de automóveis licenciados, 8,7% a mais do que nos primeiros cinco meses de 2012.
A participação das associadas no mercado total de veículos passou de 3,5% em abril para 3,1% em maio. Nos primeiros cinco meses de 2012 o market share dessas empresas no mercado era de 4,63%. No mesmo período deste ano, caiu para 3,2%.
Visconde comenta que o resultado de maio poderia ter sido muito melhor para várias associadas da Abeiva, acompanhando o ritmo do mercado interno de automóveis. No entanto, isso não aconteceu porque boa parte das importadoras tiveram problemas com seus estoques. A Audi, por exemplo, enfrentou impasses logísticos e teve dificuldades para importar os modelos Q3 e Q5, que são trazidos da Espanha pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.
“Este tem sido um ano de aprendizado para as associadas por conta da definição de cotas de importação sem o adicional dos 30 pontos do IPI (volume calculado com base na média das importações de cada empresa nos últimos três anos, com teto máximo de 4,8 mil unidades anuais). Cada marca teve que adequar o seu mix de vendas de acordo com as cotas, dando prioridade para os modelos mais vendidos. Houve falta de produtos nas concessionárias por conta desses ajustes e também por problemas logísticos. A partir de junho a disponibilidade de produtos deve ser regularizada”, explicou o vice-presidente.
A participação das associadas da Abeiva no mercado de importados passou de 18,5% em abril para 17,2% em maio. Os demais veículos são de empresas filiadas à Anfavea, que mantêm fábricas no Brasil, cuja participação no mercado de importados foi de 82,8% em maio, com 45,8 mil unidades vendidas.
Na visão do vice-presidente, o market share dos importados da Abeiva tem sido favorecido em função do esgotamento temporário das cotas do México, reduzindo os volumes das associadas à Anfavea. De janeiro a maio deste ano, o volume de compras do México caiu 44,6% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 85,1 mil unidades para 47,2 mil. As importações da Argentina, em compensação, apresentaram alta de 9,6%, na mesma base de comparação, chegando a 134,6 mil unidades nos primeiros cinco meses deste ano.
OTIMISMO
Mesmo diante de quedas consecutivas, o vice-presidente Marcel Visconde diz que as associadas da Abeiva estão otimistas. “A Abeiva não é a entidade do apocalipse. Este ano tem sido pior do que o 2012, mas agora, com a recuperação do cenário econômico, temos ao menos a garantia de investimentos por parte das importadoras oficiais. Não se assustem com os números. O pior já passou e o segundo semestre será melhor do que o primeiro. Não vamos atingir o nosso objetivo de 150 mil unidades, mas não há mais dúvidas de que conseguiremos manter as marcas no País”, declarou. O número das concessionárias de importados, segundo ele, deve ser mantido até o final do ano.
INOVAR-AUTO E EXPORTAR-AUTO
Cerca de 90% das importadoras associadas à Abeiva já estão habilitadas ao Inovar-Auto, segundo o vice-presidente da entidade, que espera por resultados melhores após a definição das cotas de importação sem o adicional do IPI.
Um próximo passo agora seria esperar pelo Exportar-Auto. Leandro Radomile, presidente da Audi Brasil, presente na reunião com a imprensa, vê como positiva a criação do programa. “Com o Exportar-Auto, proposto pela Anfavea (leia aqui) haverá uma reorganização das importações, o que também deverá favorecer as associadas da Abeiva. Se você exporta mais, também acaba abrindo o mercado interno para as importações.”
Radomile revelou que, apesar da planta da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR) ser a mais cotada para receber uma futura linha de produção da Audi, representantes da empresa têm negociado com o governo federal e governos estaduais incentivos fiscais que poderiam mudar os planos. “Queremos divulgar o local da nova fábrica da Audi ainda este ano”, comentou.
Assista à entrevista exclusiva com Marcel Visconde, vice-presidente da Abeiva e presidente da Porsche no Brasil: