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Abeiva revisará projeções de 2013 para baixo

A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) aguardará o fechamento de março e, portanto, do primeiro trimestre, para reavaliar suas projeções de vendas para 2013, disse o presidente da entidade, Flavio Padovan, durante a divulgação dos dados do primeiro bimestre. Segundo os números, as vendas de veículos importados das associadas somaram 15.811 unidades nos dois primeiros meses do ano, queda de 27,5% na comparação com igual período do ano passado, quando foram entregues 27.797 unidades.
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Redação AB

18 mar 2013

4 minutos de leitura

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“Em janeiro e fevereiro atingimos média de vendas entre 7 mil e 8 mil unidades, abaixo da média de 12,5 mil unidades por mês que previmos para atingir as 150 mil unidades neste ano. Vamos aguardar o fechamento de março para rever as projeções: pode ser que haja recuperação a partir do efeito das cotas de importação do Inovar-Auto, mas vamos revisar as projeções provavelmente para baixo”, disse Padovan.

A participação das associadas no mercado de importados caiu de 17% no primeiro bimestre do ano passado para 14,5% neste. Os demais veículos importados são das empresas filiadas à Anfavea, que mantêm fábricas no Brasil, cuja participação no mercado de importados foi de 84,9% nos dois primeiros meses de 2013.

No comparativo mês a mês, os emplacamentos dos importados da Abeiva recuaram 31,1% em fevereiro sobre igual mês de 2012, para 7.185 veículos. Sobre janeiro deste ano, houve desaceleração de 16,7%. Apesar da queda, a participação do setor de importação no mercado geral de veículos subiu de 2,91% em janeiro para 3,23% em fevereiro. A média diária de emplacamentos subiu de 392 unidades por dia útil de janeiro para 399 unidades por dia útil no mês passado, reação de 1,8%.

Na análise dos emplacamentos de veículos importados desde dezembro, a participação das associadas à Abeiva aumentou de 12,8% para 13,5% e, em fevereiro, para 15,8%. Já os importados das montadoras da Anfavea perderam participação no período, de 86,7% em dezembro para 85,9% em janeiro e, em fevereiro, para 83,5%.

“Tudo indica que houve esgotamento das cotas do México, mas já foram redefinidas agora em março”, argumenta Padovan.

Ele indica que a associação visa alcançar os 5% de participação no mercado brasileiro, mas não dá prazos. Em 2011 e 2012, a participação dos veículos importados pela Abeiva no mercado total ficou na casa dos 3%.

COTAS INOVAR-AUTO

O presidente da Abeiva voltou a criticar o volume da cota de importação concedida a empresas importadoras que se habilitam ao Inovar-Auto, cujo teto é de 4.800 unidades por ano de habilitação. Ele avalia a cota como um “pouco de oxigênio” para as importadoras no mercado de importados, prejudicado após elevação da taxa do IPI em 30 pontos porcentuais, mas o volume tem efeito diferente para cada empresa.

“Para algumas marcas, o teto da cota é bom, porque sua média histórica de importação nos últimos três anos é igual ou menor que 4.800 unidades, mas para as marcas líderes, que chegavam a vender 70 mil carros por ano, a cota não ajuda em nada. O efeito das cotas para importadores no mercado é pequeno, a reação vai depender da estratégia de cada associada. Algumas já sinalizaram e baixaram os preços”, conta.

Para fugir da majoração dos 30 pontos porcentuais no IPI, a empresa precisa se habilitar ao Inovar-Auto em uma das três categorias: fabricante, que já produz no Brasil; investidor, que tem planos de produzir aqui; e importador, que não tem planos de produção, mas tem que investir em pesquisa e desenvolvimento, além de alcançar a meta de redução de consumo prevista no novo regime. Parte das empresas associadas à Abeiva não deram entrada no programa do governo, como é o caso da Kia, líder de vendas entre as importadoras da entidade. Chery, JAC e BMW já foram habilitadas por terem planos de produzir seus veículos no Brasil. Segundo Padovan, nem todas as marcas têm condições de viabilidade econômica para instalar uma fábrica aqui.

O diretor financeiro da Abeiva, Ricardo Strunz, defende que a entidade aprova o fato de o País ter uma política voltada à inovação e crescimento da indústria nacional, mas que as regras não agradam a todos. “Nós não discordamos do imposto, discordamos do exagero, da cascata de impostos que recaem sobre os importados”, disse.

Ele acrescenta que o Brasil tem uma das maiores alíquotas de importação, hoje em 35% do valor do produto, e compara com países que mantém taxas médias bem abaixo da brasileira: Estados Unidos, com média de 6%, Canadá, com 5%, Europa, cuja maior taxa é de 14%, e finaliza citando o Chile, que tem taxa zero de importação.

“O Chile é o país mais livre em termos de comércio da América Latina, enquanto que no Brasil, com IPI e Inovar-Auto, nossa taxa de importação fica muito acima dos 35%.”

Assista aqui a entrevista exclusiva de Flavio Padovan, presidente da Abeiva, a ABTV.