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A Abimaq, associação que reúne fabricantes de máquinas e equipamentos industriais, divulgou os resultados do setor nesta terça-feira, 27. Apesar de ter registrado números positivos, a entidade alerta para uma forte perda de mercado e competitividade, com o avanço dos fabricantes asiáticos.
Houve alta de 13,2% do faturamento no acumulado do ano sobre o mesmo período de 2009. O principal estímulo para os negócios do setor foi o PSI, programa de financiamento do BNDES com juros de 4,5% ao ano.
Na comparação de junho sobre maio, a expansão foi de 8,4%. Apesar disso, os R$ 33,9 bilhões que a indústria de bens de capital faturou de janeiro a junho de 2010 representam uma queda de 12,6% na comparação com 2008. “Nossa base de comparação é fraca, 2009 foi o pior ano em produção e faturamento dos últimos 30 anos”, alerta o presidente da associação, Luiz Aubert Neto.
Exportação
A maior dificuldade do setor continua nas exportações. Apesar da alta de 6,5% em relação ao primeiro semestre de 2009, para um volume de US$ 4 bilhões, a participação das vendas externas no faturamento está em queda. Aubert explica que o segmento sempre exportou mais de 30% do faturamento. Em 2010 o volume foi de 22%. “Não podemos culpar a crise por isso. O motivo é que estamos perdendo mercado”, justifica.
Os maiores compradores de bens de capital nacionais são Estados Unidos, Argentina e México. Este quadro já sofreu algumas alterações com o avanço dos produtos asiáticos. A Abimaq aponta que a Venezuela, por muito tempo o terceiro maior cliente do Brasil, passou a importar muito mais da China e figura em 9º lugar no ranking de vendas nacionais.
A entidade alertou que a mudança também acontece em países onde existe produção forte de máquinas e equipamentos. A Alemanha, maior fabricante do setor, viu as exportações caírem 40%. Além disso, vinte companhias do país foram compradas por grupos chineses, que buscam acesso às tecnologias do segmento.
Importações
A queda das exportações se agrava com o volume crescente de importações de máquinas para atender à indústria nacional. No primeiro semestre houve alta de 14,6% sobre o período de 2009, para um volume de US$ 10,6 bilhões. A expansão é de 6,6% se a base de comparação for o primeiro semestre de 2008.
Estados Unidos, Alemanha e China são as principais origens dos equipamentos importados para o Brasil. “Se este ritmo continuar, logo a China ocupará o lugar da Alemanha como maior fornecedora de bens de capital para o País”, alerta o presidente da Abimaq. Os subsídios chineses para estimular exportações são muito fortes. “Eles têm mais de US$ 1 trilhão em caixa para subsidiar o setor”, aponta Aubert Neto.
A Abimei – Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais destaca que a China atende uma demanda por máquinas simples e de baixa tecnologia que não pode ser suprida no Brasil. Daniel Dias de Carvalho, diretor secretário da entidade, aponta que um grande volume de importações vem dos próprios associados da Abimaq.
Para ele, complementar a produção local com importação é um caminho natural para competir em um mercado globalizado, já que o Brasil produz um maquinário de nível tecnológico médio e precisa importar bens de capital mais simples e de alta tecnologia.
Aubert Neto, da Abimaq, afirma ser a favor da importação que agrega tecnologia e aponta que o aumento das compras externas por associados da entidade é consequência do alto custo de produção no Brasil e do real sobrevalorizado. “A empresa começa trazendo componentes devagar até trazer a máquina pronta. Não conseguimos detectar o volume de importações que entram assim no Brasil porque elas são faturadas como nacionais”, conta o dirigente.
