
De acordo com o vice-presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza, caso a projeção se confirme, será o maior déficit já registrado pelo setor. Em 2011, a indústria de máquinas e equipamentos teve saldo comercial negativo de US$ 17,8 bilhões. “Poderá ser um pouco menor se o Brasil não se recuperar e, por conta disso, houver um consumo de máquinas menor no último semestre do que o esperado”, afirmou, em coletiva de imprensa.
Ele explicou que, caso a economia não se recupere a ponto de estimular a demanda de máquinas e equipamentos, as importações devem diminuir, o que implicaria um menor déficit. “A velocidade de crescimento do déficit da balança está diminuindo, mas não por uma vitalidade nossa. É porque o consumo de máquinas no Brasil está dando uma freada forte há três meses”, disse Pastoriza, em entrevista coletiva, reiterando que os importados estão tomando conta do mercado interno.
A expectativa da Abimaq é de que a economia retome fôlego a partir do quarto trimestre deste ano, como resultado das medidas do governo federal. “As medidas anunciadas anteriormente, que incluíam financiamentos com juros em condições interessantes pelo Finame e desoneração da folha de salários, terão efeito positivo mais em curto prazo, mas são medidas que começaram a valer este mês”, disse o vice-presidente da Abimaq, que completou: “Poderemos sentir um efeito positivo a partir do quarto trimestre.”
O presidente da entidade, Luiz Aubert Neto, esteve nesta quarta-feira, 29, em Brasília, onde se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com Pastoriza, a Abimaq leva ao governo os números mais recentes, que mostram que o setor já fechou quase 10 mil postos de trabalho desde outubro de 2011.
Em julho, 254.361 pessoas estavam empregadas na indústria de máquinas e equipamentos, queda de 3,2% na comparação com o mesmo mês de 2011. “O que estamos levando para o ministro são os últimos números, mostrando esse processo recessivo de vários de nossos segmentos e mostrando que estamos há nove meses seguidos demitindo”, afirmou.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor fechou o mês de julho em 76%, ante 76,6% em junho. Segundo Pastoriza, o governo precisa atentar para o fato de que quase um quarto da indústria de máquinas e equipamentos está ociosa. “As medidas que o Brasil precisa são de longo prazo. Como não há condições de esperar o longo prazo, então vocês (governo) vão ter de tomar medidas de curtíssimo prazo”, disse o vice-presidente da Abimaq.
A solução apontada pela entidade para alterar a situação é mexer no câmbio, juros, impostos, Custo Brasil e investir na defesa comercial. “Não acreditamos em protecionismo, mas estamos vivendo um momento de emergência”, afirmou.