
O terceiro dia do #ABPlanOn, evento digital realizado por Automotive Business, foi dedicado aos veículos pesados e o panorama desse mercado no restante de 2020 e 2021. Uma palestra sobre a nova etapa da legislação de emissões para veículos pesados e dois painéis que reuniram cinco dos principais executivos do setor permearam as discussões das apresentações ao vivo na manhã da quarta-feira, 26. 
Com mais de 12 mil acessos realizados por quase 4 mil participantes, a plataforma do evento já somou 65 mil visualizações nos primeiros três dias da jornada, que se estende até a sexta-feira, 28. Além das apresentações ao vivo, os inscritos também têm acesso ao download de uma centena de documentos preparados com exclusividade para o público do #ABPlanOn, incluindo vídeos gravados, artigos, ee-books, estudos, infográficos e podcasts.
Outro destaque da jornada digital são as oportunidades de conexões e networking por meio do sistema desenhado em parceria com a 100 Open Startups, que permitiu a realização de rodadas de negócios digitais durante o #ABPlanOn. Já foram realizados mais de 300 pedidos de reuniões entre os participantes.
DESAFIOS DO PROCONVE P8
O diretor técnico da Anfavea, Henry Joseph Jr., começou os trabalhos do terceiro dia do #ABPlanOn trazendo um panorama das mudanças previstas na oitava fase da lei de emissões para caminhões e ônibus, o Proconve P8, prevista para entrar em vigor em 2022/2023. A regulamentação tem novos índices mais apertados de emissões baseada na lei em vigor na Europa, conhecida como Euro 6. Para isso, é necessário investimento pesado da indústria, estimado em R$ 12 bilhões, que agora impactada pela crise gerada pela pandemia busca junto ao governo prorrogar a entrada em vigor da lei em dois ou três anos.
“Desta vez, temos um prazo ainda mais curto para o desenvolvimento, adaptação de laboratórios, cotação e aprovação de fornecedores, realização dos testes funcionais e de durabilidade, desenvolvimento e adaptação do processo produtivo e treinamento da rede”, afirmou Henry Joseph Jr.
O MERCADO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS
Em painel reuniu os grandes players do mercado de caminhões e ônibus no Brasil, fabricantes de linha completa de veículos, dos semileves aos pesados, representantes da Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) e Iveco avaliaram o comportamento do mercado em 2020 diante dos impactos da pandemia e indicaram qual poderá ser o cenário para 2021.
“Antes da pandemia, vislumbrava-se um crescimento do mercado de caminhões em 10% para 2020, com mais de 100 mil unidades vendidas; com a chegada da pandemia, foi preciso rever todas as projeções e agora a maior parte das marcas projeta volume igual ao da Anfavea (mercado de 65 mil caminhões novos em 2020). Existe uma maior visibilidade do cenário atual, com viés de alta, e essa visibilidade é melhor do que nos meses passados”, Ricardo Barion, da Iveco.
“Os emplacamentos de caminhões de agosto já indicam um volume menor do que o de julho, muito em função dos represamentos gerados por causa da quarentena, o que fez parar o funcionamento dos Detrans no segundo trimestre. Com isso, é muito difícil neste momento prever qualquer número diferente da projeção da Anfavea, que espera emplacar 65 mil caminhões em 2020”, avalia Roberto Leoncini, da Mercedes-Benz.
“A situação atual se mostra um pouco menos pior do que imaginávamos, embora a previsão seja positiva para caminhões no segundo semestre. Para ônibus, se não fosse o Caminho da Escola, o segmento teria uma queda dramática e histórica das vendas em 2020”, afirmou Ricardo Alouche, da VWCO.
O painel de encerramento das apresentações ao vivo contou com os presidentes para América Latina de dois dos maiores fabricantes de caminhões extrapesados, Christopher Podgorski, da Scania, e Wilson Lirmann, do Grupo Volvo. Ambos creditaram ao desempenho excepcional do agronegócio brasileiro, principal comprador de modelos extrapesados, a passagem mais suave pela crise.
“Continuamos com a gestão de crise, monitorando semanalmente a situação do mercado. No momento, vejo duas pistas da economia: uma em alta velocidade, que é o agronegócio, a grande fortaleza do Brasil, e a pista mais lenta, onde está a indústria e os serviços. Estamos cautelosamente otimistas no curto prazo, mas existe um impacto em toda a cadeia”, analisou Wilson Lirmann, da Volvo.
“O agronegócio segue com 40% de participação das nossas vendas, mas é muito difícil falar em números absolutos neste momento. Estamos moderadamente otimistas para 2021. Se tiver renovação de frota, será um grande alavancador – e teria um impacto de eficiência energética até mais positivo do que a própria implantação do Euro 6 num primeiro momento”, afirmou Christopher Podgorski, da Scania.
