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#ABX21 inicia debates com Great Wall e GM falando sobre a revolução do automóvel

Painelistas falam sobre momento das montadoras no Brasil, eletrificação e o futuro das marcas
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Victor Bianchin

23 nov 2021

3 minutos de leitura

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Um dos maiores eventos do setor automotivo e da mobilidade do País, #ABX21 foi aberto hoje com o painel “Os desafios da indústria automotiva para entregar a revolução do automóvel”. A mesa foi composta por Pedro Bentancourt, diretor de relações governamentais da Great Wall Motors, Hermann Mahnke, diretor executivo de marketing da General Motors, e Giovanna Riato, editora executiva de Automotive Business.

O debate começou com o assunto do estado atual do mercado brasileiro. Bentancourt disse que o mau momento causado pela pandemia vai passar e que todos os planos da Great Wall são para o longo prazo. “Para uma empresa que não pensa em ciclos de um ano apenas, faz todo sentido se instalar no Brasil”, afirmou ele. “Aqui tem uma longa história automotiva, mão de obra capaz e treinada, mercado sólido, rede de fornecedores instalada… o Brasil é um hub de exportação para toda a América Latina”, argumentou.

Mahnke disse que a GM passa por um momento “muito bom”. “Houve desafios muito grandes, foi um ano complexo para toda a indústria e, por consequência, a gente ficou alguns meses sem produção, principalmente do Onix, que é nosso grande carro de volume. Mas nossa indústria é de ciclos longos, não curtos”, disse o executivo.

O processo de eletrificação

Como não poderia ser diferente, a pauta logo passou para o tema da eletrificação. Bentancourt afirmou que a entrada da Great Wall no Brasil será gradual. “Vamos entrar no Brasil com híbridos, isso faz parte da nossa estratégia. A empresa quer passar de baixo carbono a carbono zero e, globalmente, nós pretendemos em 2025 ter 80% das vendas de produtos propulsados com novas tecnologias”, projetou ele.

Mahnke aproveitou o tema para criticar a insistência de alguns setores em focar nos híbridos. “Muito se fala no Brasil de elétricos e híbridos e, sem dúvida, no curto prazo, todos são grandes contribuidores para reduzir a emissão. Mas isso acende uma luz amarela porque a gente corre o risco de reduzir a curto prazo, mas de nos desconectar das tendências da tecnologia mundial. O Brasil é um mercado estratégico, só que a indústria automobilística não desenvolve tecnologias só para um mercado, desenvolve para o mundo. E o dinheiro requerido para essas tecnologias é muito grande. Então, quanto mais o Brasil consiga convergir para tecnologias que sejam globais, como a eletrificação, mais a gente vai usufruir dessa transformação”, defendeu ele. 

Bentancourt concordou com o colega: “Nossa indústria não pode se descolar das tendências globais porque, senão, nós não teremos mais indústria. Os pontos do Hermann são perfeitos e reforçam o que eu disse: eletrificação é um fenômeno irreversível e inexorável”.

Futuro no Brasil

Em seguida, Giovanna perguntou aos executivos sobre o futuro de suas empresas no Brasil. Bentancourt respondeu primeiro e disse que a prioridade da Great Wall é reformar a fábrica da Daimler que comprou no interior de São Paulo. “É uma fábrica muito nova, mas com uma capacidade muito reduzida. Assim que tomarmos posse, vamos aplicar tecnologia nela para passar de 20 mil para 100 mil unidades de capacidade produtiva. Serão quatro fábricas em uma, um investimento maciço”, afirmou.

Ele também disse que os primeiros modelos disponibilizados no Brasil deverão ser importados e ainda não foram escolhidos. “Ainda temos que construir rede de concessionárias, fazer política de mercado, então é um plano a longo prazo, ninguém está desesperado para vender amanhã”, explicou. O executivo ainda lembrou que, globalmente, a Great Wall pretende investir US$ 100 milhões em tecnologia. “Vamos investir em duas áreas essenciais: tecnologias limpas e alternativas e chips de terceira e quarta geração baseados em carbureto de silício, fundindo hardware e software num mesmo equipamento”, revelou.

Pelo lado da GM, Mahnke falou sobre a possibilidade de a empresa começar a montar elétricos no Brasil. “Não tem previsão ainda”, afirmou. “O caminho natural disso, se a intenção é eletrificar globalmente, é falar de produção local. Mas, primeiro, a gente precisa passar por uma aceleração da eletrificação e ter uma estratégia mais clara das montadoras globalmente nesse sentido”, disse. Ou seja: tudo vai depender da movimentação do mercado nos próximos meses.