
Não haverá uma rota única para a transição energética dos veículos comerciais. No Automotive Business Experience (ABX) 2026, especialistas e executivos avaliam que caminhões elétricos, modelos a gás e outras tecnologias vão ganhar espaço conforme a aplicação e o perfil de cada operação.
“A pergunta que a gente ouve: o elétrico vai dominar? Qual vai ser a tecnologia dominante? Não existe bala de prata. Cada utilização vai ter um tipo de solução adequado”, afirma Fábio Ferraresi, diretor-geral da Power Systems Research, que apresentou projeções para o mercado de veículos comerciais no painel “Lançamento do Relatório de Tendências Transporte e Gestão de Frotas”.
Segundo as projeções da empresa, os elétricos devem ganhar mais participação entre os caminhões leves. Ferraresi ressalta que parte desses veículos não aparece nos dados de produção nacional por ser importada.
O ritmo de adoção também vai variar. De acordo com a Power Systems Research, segmento, missão, porte da frota, região, ciclo de renovação e capacidade de investimento vão determinar a velocidade com que cada solução avança.
Gás natural amplia rotas para descarbonização
A convivência entre diferentes rotas também esteve em pauta no painel “A próxima marcha da indústria de caminhões”, mediado por Giovanna Riato, editora-chefe do Jornal do Carro. Leandro Pugliese, vice-presidente de estratégia corporativa, planejamento e sustentabilidade da Volkswagen Caminhões e Ônibus, afirma que a eletrificação é uma das rotas para a descarbonização, mas que determinadas aplicações deverão priorizar tecnologias específicas.
Na mesma mesa, Silvio Renan, diretor de vendas de soluções da Scania, defende o gás natural como alternativa. Segundo ele, a tecnologia reduz o ruído e os motoristas já relatam uma operação mais confortável. Renan diz ainda que as transportadoras têm percebido os benefícios de contar com mais de uma opção para descarbonizar.