
O mercado de carros por assinatura ganha espaço no Brasil, mas ainda está concentrado em consumidores de alta renda e enfrenta o impacto do crédito caro. Esse foi um dos diagnósticos do painel “O carro virou serviço: assinatura, dados e novas receitas”, realizado durante o Automotive Business Experience (ABX) 2026.
O encontro foi o quarto painel do palco Dealers e reuniu Valdner Papa, consultor da IDC Treinamento e Marketing; Rodnei Bernardino de Souza, consultor da RBS; e Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA). A mediação foi de Murilo Moreno, consultor da Sequoia Estratégia de Marketing.
Além do panorama das assinaturas de veículos, o debate abordou novas fontes de receita para as concessionárias, com destaque para financiamento e seguros.
Carro por assinatura ainda atende a um nicho
Segundo os participantes, a migração da propriedade para o uso é uma tendência, mas ainda se concentra em uma parcela específica do mercado.
“O processo de mudança de propriedade para o uso vem acontecendo muito na geração mais jovem, mas ainda não é bem absorvido na geração X e nos baby boomers. Acredito que tem um tempo para entendermos melhor a tendência, mas continua a ser um caminho nichado”, analisa Valdner Papa.
Rodnei Bernardino de Souza também aponta o perfil financeiro dos clientes como uma barreira para a expansão do serviço.
“O perfil dos assinantes é um limitador. O aluguel é uma forma de análise de crédito. Você tem que buscar um cliente de baixo risco e alta renda, e só isso já limita o mercado”, afirma.
Crédito caro eleva mensalidade das assinaturas
A concentração em consumidores de alta renda está relacionada, em parte, aos valores elevados das mensalidades. Assim como ocorre no financiamento, o custo do crédito afeta o modelo de negócios das locadoras e encarece os planos oferecidos aos clientes.
“O carro por assinatura está emperrando no crédito. O crédito caro para a locadora acaba aumentando a parcela mensal. Para o público normal, importa o valor da parcela, e não a taxa de juros”, explica Paulo Miguel Júnior.
F&I ganha importância nas concessionárias
Para ampliar suas receitas, os participantes defendem que as concessionárias brasileiras fortaleçam a atuação em F&I, sigla em inglês para financiamento e seguros.
“Falar de F&I é fundamental; encontrar outros serviços e produtos é uma necessidade urgente. Hoje, temos um primeiro vetor, que é a queda do ticket médio, e o segundo, que é a queda da margem. A tendência das margens do zero km é estreitar cada vez mais. Eu tenho o objetivo obrigatório de encontrar outras receitas, e o F&I é uma das principais ferramentas”, afirma Valdner Papa.