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#ABX26

#ABX26 – Carro por assinatura custa menos que a compra em 90% dos casos, diz Localiza

Em debate mediado pelo Jornal do Carro, executivo explica como juros altos, depreciação e flexibilidade impulsionam modalidade que já reúne mais de 300 mil veículos no país

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Redação AB

01 out 2026

3 minutos de leitura

O mercado de carro por assinatura finalmente atingiu a maturidade no Brasil? Essa questão norteou o segundo painel do palco Mobility Now, durante o #ABX26.

Moderado por Isadora Carvalho, editora do Jornal do Carro (Estadão), o debate reuniu insights de Bruno Saliba, head de produtos e operações da Localiza Assinatura, sobre a consolidação e os desafios dessa modalidade de mobilidade.

Nos últimos cinco anos, a frota de carros por assinatura no país saltou de 80 mil para mais de 300 mil unidades, segundo estimativa da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla).

De acordo com Saliba, o principal perfil que busca esse serviço quer fugir de burocracias e despesas ligadas à propriedade, como IPVA, licenciamento, revisões preventivas e depreciação acentuada.

Na ponta do lápis, o executivo afirma que, em mais de 90% dos casos analisados, assinar um veículo zero-quilômetro resulta em menor custo total de propriedade (TCO) em comparação à compra tradicional. O cenário macroeconômico, com taxa Selic em patamares elevados, encarece o financiamento bancário e impulsiona a locação de longo prazo.

Atraídas pelo avanço do setor, montadoras e instituições financeiras tentaram estruturar operações próprias, mas nem todas sustentaram o modelo. Um dos exemplos citados foi a Porto Seguro, que encerrou seu programa de assinatura veicular após reavaliar a viabilidade econômica do negócio.

Saliba ressaltou que as grandes locadoras levam vantagem pela escala de compra, maior poder de barganha com montadoras e logística estruturada para gerir frotas e desmobilizar os seminovos ao término do ciclo. Hoje, a concorrência se divide entre locadoras consolidadas, como Localiza, Movida e Unidas, e divisões diretas de fabricantes.

Localiza Mensal Flex e a atração das novas gerações

O perfil predominante de clientes ainda é composto por motoristas acima de 35 anos, com maior poder aquisitivo. Segundo Saliba, o contrato médio na companhia gira em torno de 33 meses, com tíquete mensal superior a R$ 3 mil.

No entanto, as novas gerações demandam serviços sem travas de longo prazo nem altos valores de entrada. Para capturar essa fatia, a empresa aposta no Localiza Mensal Flex, modalidade de aluguel mensal flexível.

O produto traz mensalidades mais enxutas e permite a devolução antecipada sem multa, com cobrança pelo período utilizado, funcionando como porta de entrada para quem prioriza conveniência. Prova do desapego à posse é que menos de 0,5% da base opta por comprar o veículo em definitivo ao término do contrato.

Apesar da expansão, o segmento ainda esbarra em barreiras educacionais. Saliba apontou o desconhecimento sobre o modelo como um dos principais obstáculos à expansão do carro por assinatura.

Eletrificação e o impacto da taxa de juros

Entre as principais alavancas de crescimento está a oferta de híbridos e elétricos. Diante da desvalorização dos modelos e dos gastos com revisões, a assinatura virou uma alternativa de experimentação segura e sem risco residual para o usuário.

Por fim, Saliba analisou o impacto da política monetária no negócio. Embora a alta da Selic impulsione a assinatura frente ao crédito automotivo mais caro, taxas menores trariam ganhos na ponta do fornecimento: com juros reduzidos, as locadoras compram lotes com custo de capital mais baixo e repassam a economia aos contratos, ainda que o crédito mais acessível volte a estimular o financiamento tradicional.