
Com o resultado o país encerrou 2009 avançando 8,7% em relação a 2008, em linha com as expectativas de 8,5%. O resultado forte é explicado pelas políticas implementadas na China no ano passado, com foco na aceleração dos investimentos em infraestrutura e no estímulo ao consumo doméstico, favorecido pela considerável expansão creditícia e pelos incentivos fiscais. Os demais dados referentes à atividade doméstica confirmam este fortalecimento da demanda interna, lembrando que mesmo as exportações vêm se recuperando nos últimos meses.
Segundo o Depec do Bradesco, o balanço geral dos dados divulgados nesta madrugada aponta:
1 – a expressiva aceleração da inflação;
2 – surpresa positiva com as vendas no varejo;
3 – pequena decepção com a produção industrial.
A inflação ao consumidor apresentou alta de 1,9% em dezembro em relação ao mesmo período do ano passado. A inflação ao produtor subiu 1,7% ante expectativa de 0,8%, saindo do campo deflacionário (em novembro o recuo tinha sido de 2,1%). As vendas no varejo mostraram expansão de 17,5% no último mês do ano na comparação com dezembro de 2008, superando a alta de 16,3% esperada pelo mercado e a expansão de 15,8% de novembro.
A produção industrial, após meses seguidos de surpresas positivas, deu sinais de desaceleração em dezembro ao mostrar crescimento interanual de 18,5% (contra expectativa de 19,6% e elevação de 19,2% no penúltimo mês do ano passado).
Os investimentos em ativos fixos encerraram o ano crescendo 30,5%, confirmando a expectativa de desaceleração dos investimentos ao longo de 2010.
Para o Depec, em 2010 o ritmo de crescimento do consumo doméstico será mantido, ainda que espere uma desaceleração na expansão dos investimentos compensada pela recuperação gradual das exportações, mantendo a tendência já observada recentemente, o que sustenta nossa projeção de expansão de 9,4% do PIB em 2010.
Entende ainda o Depec que a expressiva aceleração do crédito, combinada com as crescentes pressões inflacionárias, os sinais de possíveis bolhas no mercado imobiliário e as preocupações de excesso de investimento em alguns setores, exigirá uma mudança na condução da política monetária, no sentido de acomodar o atual ritmo de crescimento, mantendo a atual direção já observada nas últimas semanas.