
André Munari, gerente geral de vendas para o mercado automotivo da ArcelorMittal Tubarão, explica que a demanda tem crescido ao passo que as plataformas de veículos vem sendo substituídas para atender requisitos globais e também ao Inovar-Auto, regime que estipula metas para as montadoras desenvolverem veículos mais leves e seguros.
Marcelo Federici, especialista em desenvolvimento de projeto automotivo da ArcelorMittal, conta que todas as montadoras instaladas no Brasil têm demonstrado interesse em utilizar o Usibor, principalmente nas partes críticas da carroceria. “As empresas que ainda não decidiram pelo material no Brasil já o utilizam na Europa e nos Estados Unidos e, em questão de tempo, vão passar a usá-lo aqui”, completa Munari.
As quatro maiores montadoras no mercado brasileiro (GM, Fiat, Ford e Volkswagen), segundo Federici, já têm projetos com o aço de alta resistência. Duas empresas de autopeças instaladas no País também já são clientes. E outras estão em negociação. O Ford Ecosport e o Volkswagen Up! são exemplos de veículos disponíveis no mercado que foram concebidos com o Usibor e avaliados com nota máxima em crash test do Latin NCAP em 2013.
O Usibor faz parte do conjunto de soluções desenvolvidas pela ArcelorMittal, denominado S-in Motion, que permite às montadoras reduzir em até 20% do peso do veículo, além de diminuir em cerca de 15% as emissões de CO₂ durante a produção e vida útil do veículo. A ArcelorMittal prevê um aumento dos atuais 6% para 25% de utilização de aços de alta resistência nos veículos brasileiros até 2025, acompanhando a tendência da indústria automotiva global.
Durante o 69º congresso anual da ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), realizado na quarta-feira, 23, o indiano Debanshu Bhattacharya, diretor global de pesquisa e desenvolvimento da ArcelorMittal, reconheceu que a demanda por aços de alta resistência no Brasil poderia ser ainda maior se a “cultura preço” ainda não tivesse tanto peso no País.
Marco Colosio, diretor de atividades estudantis e associações da SAE Brasil e gerente técnico de engenharia de produto da General Motors, participou do mesmo evento e confirmou que o preço muitas vezes impede as mudanças. “Não adianta pegar uma peça projetada em aço convencional e querer adaptá-la para o de alta resistência ou ao alumínio. O custo de adaptação vai ser muito alto”. O executivo acredita que a maior dificuldade está na falta de integração entre fornecedores de alumínio, cadeia de sistemistas e montadoras para desenvolvimento dos projetos. “As tecnologias são recentes e não temos ainda a integração necessária”, declarou.
Para ganhar participação, a ArcelorMittal tem procurado atuar na concepção do veículo, cerca de cinco anos antes de ser lançado. Bhattacharya explicou que ao participar desde o início do projeto, em parceria com montadora e sistemistas, é mais fácil viabilizar o uso do aço de alta resistência. “Comprova-se para a montadora, estudando peça a peça, que a adoção do aço resistente sai mais barato no conjunto veicular e pelas vantagens que ele entrega.” A siderúrgica tem proposto a otimização e melhoria de mais de 40 peças veiculares.
A aposta da Arcelor no Brasil não se restringe ao Usibor. O diretor global de P&D comentou que a empresa de origem indiana, que já fornece vários aços avançados, está desenvolvendo mundialmente novos tipos de alta resistência, além do revestido de alumínio-silício.
“A indústria ainda usa bastantes aços de primeira geração (monofásicos), mas estamos muito próximos do avanço dos PHS e polifásicos e dos aços de terceira geração, que têm ainda maior alongamento, estabilidade, força e durabilidade e são os que mais crescem na Europa. Vamos adicionar estas novidades no portfólio da ArcelorMittal Brasil. Estamos trabalhando agressivamente para isso”, prometeu Bhattacharya sem revelar detalhes de novos investimentos.