
As ações da BYD subiram 4% em janeiro em meio à apresentação de seu novo sistema de condução autônoma. Segundo dados da consultoria Global Data, a fabricante liderou o mercado chinês tanto em vendas, com 212.305 unidades, como em produção, com 302.897 unidades.
O BYD Seagull (comercializado como Dolphin Mini no Brasil na América Latina) liderou as vendas no segmento de veículos de passageiros.
Em fevereiro, a empresa introduziu o God’s Eye, sua nova ferramenta de direção autônoma, e revelou que ele virá instalado em todos seus modelos, inclusive no Seagull. São 21 carros com o God’s Eye.
Equipamento pode desencadear nova guerra de preços
A iniciativa da fabricante de instalar o God’s Eye em carros “populares” foi considerada um marco. Isso porque a tecnologia é cara e, nos mercados ocidentais, tem sido considerada algo exclusivo para modelos mais luxuosos. O Seagull, por exemplo, custa 69.800 yuans (o equivalente a R$ 57 mil).
O que os analistas têm afirmado é que esse movimento pode começar uma nova guerra de preços na China, com as fabricantes de sistemas de direção autônoma competindo pelos segmentos mais baratos.
“Não importa se for em termos de especificações de hardware ou funções de direção inteligente, os carros da BYD estão à frente de todos os concorrentes do segmento”, afirmou ao Financial Times o analista Lu Daokuan.
“A BYD é uma empresa especializada em otimizar a estrutura de custos, então não é surpresa que tenha começado a investir em pesquisa e desenvolvimento interno de direção autônoma”, disse.
De acordo com a GlobalData, esse desenvolvimento tem o potencial de acelerar o domínio das marcas chinesas no mercado, pois outras grandes fabricantes chinesas de veículos elétricos (VEs) provavelmente seguirão o mesmo caminho.
Em contraste, montadoras estrangeiras, como a Tesla, estão ficando para trás na oferta de tecnologia de direção autônoma na China, que é o maior mercado automotivo do mundo.
God’s Eye
A nova ferramenta da BYD tem Nível 2 de automação, traz recursos avançados como estacionar o carro via smartphone, dirigir sozinho em rodovias e vias expressas e em rotas memorizadas.
Este sistema está disponível em três versões:
- God’s Eye C: Utiliza um conjunto de três câmeras frontais e é alimentado pelo sistema DiPilot 100, com poder de computação de 100 TOPS (usado para indicar a potência de uma unidade de processamento neural – NPU). Inclui 12 câmeras, 5 radares de ondas milimétricas e 12 sensores ultrassônicos, proporcionando uma percepção de 360 graus. É esta a versão que está no Seagull.
- God’s Eye B: Adiciona um sensor lidar para aprimorar a percepção do ambiente. Este sistema é alimentado pelo DiPilot 300, com 300 TOPS de poder de computação, e será implementado em modelos das marcas Denza e Fang Cheng Bao, além de alguns veículos de ponta da BYD.
- God’s Eye A: A versão mais avançada, incorpora três sensores lidar e é alimentada pelo DiPilot 600, com 600 TOPS de poder de computação. Destina-se aos veículos da marca de luxo Yangwang.