O relatório explica que os últimos três meses de 2008 foram marcados por uma deterioração significativa e generalizada das condições de mercado em grande parte dos negócios do Grupo Fiat e das áreas geográficas onde tem operações. A nova situação tornou mais difícil fazer projeções diante de um severo aperto de crédito e problemas de liquidez.
A nota distribuída pela Fiat destaca o ‘maior e melhor resultado da sua história’ e ressalta a boa performance do Grupo no Brasil.
A receita líquida alcançou € 59,4 bilhões, 1,5% acima da obtida em 2007. Nos primeiros nove meses o avanço da receita chegou a 8,4% sobre igual período de 2007, mas caiu com o acentuada declínio no quarto trimestre, de 17,2% em relação a igual período de 2007.
O resultado operacional (excluídos efeitos extraordinários) somou € 3,4 bilhões, crescendo
4% sobre 2007. Os bons resultados em máquinas agrícolas, veículos industriais e automóveis de luxo compensaram a queda nos segmentos de automóveis, componentes e máquinas para construção civil.
A margem operacional subiu para 5,7%, frente a 5,5% em 2007, refletindo ganhos de eficiência e melhores preços, que compensaram as perdas de volume e resultados no quarto trimestre. O resultado antes dos impostos, entretanto, contraiu-se 21%, para € 2,2 bilhões.
O lucro líquido alcançou € 1,7 bilhão, recuando 16,2% em relação a 2007. Por outro lado, o endividamento industrial líquido de € 5,9 bilhões reflete um nível mais alto de investimento, 36% superior a 2007, somado à tomada de parte do capital de giro necessário às operações no quarto trimestre.
O relatório afirma que a liquidez continua forte, em € 3,9 bilhões, mas o Conselho de Administração não proporá dividendos relativos a 2008, à exceção daqueles vinculados a obrigatoriedade estatutária.
A divisão de automóveis do grupo teve receita de € 26,9 bilhões, 0,5% acima de 2007, e comercializou 2.152.500 automóveis e comerciais leves, 3,6% a menos do que no ano anterior. O aumento das vendas na França (31%), Alemanha (14%) e Brasil (9%) compensou a queda em outros mercados importantes, como Itália (-16%).
A receita da CNH (máquinas agrícolas e de construção) cresceu 7,4%, para € 12,7 bilhões. Contabilizado em dólar, o crescimento foi de 15,3%. O resultado decorre da forte alta nas vendas de máquinas agrícolas, especialmente tratores de mais alta potência e de colheitadeiras e colhedeiras. As vendas de máquinas de construção civil recuaram, porque os bons resultados alcançado na América Latina e em outros mercados não foram suficientes para compensar a retração na Ámérica do Norte e Europa Ocidental.
A Iveco, divisão de veículos industriais, registrou receitas de € 10,8 bilhões, com um recuo de 3,8%. As vendas caíram 9,2% no ano, perda compensada pelo mix de produtos e melhores preços. Iveco teve um desempenho particularmente positivo na América Latina, com um crescimento de vendas de 21,6% frente a 2007, apesar da contração do mercado no quarto trimestre.
Previsões para 2009
O Conselho de Administração admite as dificuldades e pretende atualizar suas expectativas trimestralmente. Entre as projeções do grupo para o ano estão:
– queda de 20% da demanda global dos produtos;
– resultado da gestão ordinária (trading profit) superior a 1 bilhão de euros.
– custos de reestruturação da ordem de € 300 milhões.
– lucro líquido superior a € 300 milhões.
– fluxo de caixa industrial líquido superior a € 1 bilhão, com endividamento industrial líquido inferior a € 5 bilhões.
O resultado no Brasil
As empresas do Grupo Fiat no Brasil alcançaram, em 2008, seu melhor desempenho em vendas e participação de mercado. A Fiat Automóveis, com 24,6% de market share, foi líder de vendas pelo sétimo ano. A Iveco expandiu as vendas em 90% e conquistou 2,7 pontos percentuais de participação de mercado. A CNH consolidou a liderança em máquinas agrícolas e para construção.
