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Ações para um novo patamar na indústria automotiva

A inauguração do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), no início de junho, acontece em boa hora para o setor automotivo. Quem acompanha esta coluna sabe que somos grandes defensores dessa iniciativa, uma vez que acreditamos na necessidade de o Brasil contar com laboratórios independentes, de fácil acesso às empresas interessadas em desenvolver inovação e novas tecnologias.
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Redação AB

21 jun 2012

3 minutos de leitura

A novidade agora é a abertura do edital de chamamento público de seleção de projetos para empresas de base tecnológica, instituições de ensino superior, e instituições científicas e tecnológicas interessadas em instalar laboratórios e centros de pesquisa no PTS. Vale lembrar que o parque tem como vocação o setor automotivo. Assim, esta é uma oportunidade única e deve ser apoiada por todas as empresas do segmento.

O prazo é 6 de julho para primeira fase. Até esta data, empresas comerciais que tenham a inovação como estratégia, universidades e faculdades, e instituições científicas poderão apresentar propostas para participar deste novo empreendimento.

Nós, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, temos grandes expectativas para o PTS. As oportunidades de elevar nossa indústria automotiva a um novo patamar são imensas com o aumento do desenvolvimento de tecnologia. Esta é a ordem natural da evolução. Começamos há 60 anos importando veículos e autopeças, até que iniciamos a montagem de automóveis, a partir de projetos concebidos nos países de origem das empresas.

Desenvolvemos fornecedores locais. Ao mesmo tempo passamos a adaptar as tecnologias para a nossa realidade e, aos poucos, iniciamos o desenvolvimento de produtos para o Brasil e também para exportação. Contudo, precisamos investir mais em inovação tecnológica, pois é aí que está a diferença entre uma grande nação produtora e uma nação grande que produz veículos.

Mas, para atingir este patamar, precisamos nos equipar tal como fez o Japão e, mais recentemente, a Coréia do Sul, que contam com laboratórios onde podem realizar testes de homologação e certificação e com isso garantir o desenvolvimento tecnológico. O segredo deles foi envolver governo, academia e indústria em um projeto comum, em que o maior beneficiado era a sociedade civil. O resultado é que hoje eles exportam veículos com elevado conteúdo tecnológico para os quatro cantos do mundo.

Somos grandes em pesquisa e desenvolvimento no campo acadêmico. Nossas universidades possuem um alto número de cientistas e estudiosos nas mais diversas áreas, inclusive no setor automotivo. Apesar disso, apenas uma pequena parcela das pesquisas vira produto e realmente chega ao mercado. É preciso, assim, incentivar o intercâmbio entre indústria e academia.

É preciso ainda estimular a formação de novos engenheiros e trabalhar ainda para que eles atuem no setor. Vou um pouco além: é preciso que mais pessoas tenham acesso à educação de base, pois este é o ponto inicial de uma nação que pensa em se destacar como fornecedora de soluções para o resto do mundo.

Temos talento para isso. Temos uma indústria aeronáutica de tirar o chapéu. Uma empresa no setor de energia que é referência internacional no desenvolvimento de combustíveis. Nosso setor automotivo precisa subir mais este degrau, para não ser superado por um novo gigante que se ergue em ritmo apressado.