
|
|||||||||||||||||||||||||||
Paulo Ricardo Braga, AB
A inauguração do novo centro de operações da Meritor para o segmento de aftermarket (foto), em Barueri, a 30 km de São Paulo, trará duplo benefício para a empresa. De um lado, permitirá expandir seus esforços de comercialização no mercado de reposição, que promete crescer em 2012. Ao mesmo tempo, a mudança abrirá espaço, no local ocupado anteriormente, em Osasco (SP), para atender as duas fábricas que aceleram as linhas de montagem para acompanhar o ritmo do mercado de veículos comerciais.
Angelo Morino, diretor geral da Divisão de Aftermarket, esteve empenhado nos últimos meses em definir a mudança e estruturar os 5 mil metros quadrados que agora estão dedicados ao estoque e distribuição logística de eixos, cardans, componentes de freio e suspensão a toda a América do Sul. A nova área, 50% maior que a anterior, exigiu investimento de R$ 1,7 milhão para sua adequação e traz benefícios como maior pé direito (que amplia a área de armazenamento na vertical), sistema de drenagem para reutilização da água de chuva e um interessante projeto de iluminação natural.
Nos próximos dias começará um intenso movimento de operadores logísticos nas dez docas da Divisão de Aftermarket preparadas para receber caminhões, que têm como rota certa a rodovia Castelo Branco e o Rodoanel de São Paulo na direção de distribuidores na América do Sul. Pelas projeções de Morino, a receita da empresa no aftermarket do segmento de pesados deve avançar cerca de 20% este ano. O crescimento só não será maior porque as operações com componentes remanufaturados, como eixos, ainda não emplacaram de forma decisiva, como ele gostaria: “É uma questão quase cultural. Há poucos casos de avanços rápidos nessa atividade”, explica.
Os negócios poderiam evoluir melhor também se o governo argentino não estivesse dificultando bastante as importações de componentes automotivos. Morino estima que as vendas para o país vizinho vão cair 50% no primeiro trimestre, tendo em vista as restrições registradas, possivelmente têm o objetivo de forçar a produção na Argentina.
O centro de distribuição de Barueri estará mais integrado à operação global de aftermarket da Meritor, que tem braços fortes na Índia, China e Austrália. As filiais naqueles países serão utilizadas, quando for conveniente, para abastecer as vendas de produtos adequados para o mercado sul-americano, combatendo a penetração de produtos concorrentes oriundos da Ásia que visam à penetração no Brasil e vizinhança.
No segmento de fornecimento direto a Meritor atende a maioria dos fabricantes de caminhões, veículos industriais, fora de estrada, ônibus e militares. A receita total da corporação no ano fiscal encerrado em setembro de 2011 foi de US$ 4,6 bilhões, dos quais 57% provenientes do segmento de caminhões, 22% do segmento de indústrias e 21% da área de aftermarket e reboques. A operação na América do Sul respondeu por 15% do faturamento global. No Brasil o aftermarket distribui componentes com as marcas Meritor, Master, Suspensys, Timken e Euclid.
Nos planos para 2012 a Meritor inclui um esforço extra para oferecer aos clientes pacotes completos de sistemas, componentes e serviços. “Pretendemos convencer clientes potenciais de que eles podem encontrar conosco todas as soluções para a reposição de veículos comerciais”, observa Morino. Com alguma folga na área de armazenamento e nos sistemas logísticos, ele pretende abrir outras frentes de receita, como prestar serviços logísticos para terceiros.
Assista a entrevista exclusiva de Angelo Morino, diretor geral da Divisão de Aftermarket da Meritor, para a Automotive Business WebTV: