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Giovanna Riato, AB
A AGCO olha com atenção especial para a operação sul-americana, que responde por 25% do faturamento global da companhia. Para acelerar os negócios na região, a empresa está investindo R$ 100 milhões nas fábricas brasileiras até o fim de 2012, já que o País responde por 80% do resultado do continente.
A maior parte, R$ 65 milhões, será aplicada na planta de Santa Rosa (RS), para a instalação de uma nova estrutura de pintura, melhoria da manufatura com aumento da robotização e adequação ao sistema lean. As plantas de Canoas (RS) e Mogi das Cruzes (SP) também receberão aportes. Na primeira a companhia investirá R$ 10 milhões em uma nova linha de pulverizadores e na segunda R$ 25 milhões para acelerar a produção de motores, que deve alcançar recorde este ano, com 20 mil unidades.
As projeções da empresa para 2011 são as mesmas da Anfavea, que prevê mercado estável, com o mesmo volume de vendas do ano passado, de 68,5 mil unidades. Apesar disso, a companhia espera diferenças entre os resultados de cada segmento. “As vendas de tratores podem desacelerar até 10% e as de colheitadeiras devem crescer na mesma proporção”, acredita André Carioba, vice-presidente para a América do Sul.
O faturamento na região deve chegar a US$ 9 bilhões este ano mas a ideia é que este número alcance os dois dígitos já em 2012. Mesmo com a perspectiva de crescimento, em 2011 a companhia perdeu mercado na região e viu o market share cair dos 49,6% registrados em 2010 para 46,5% até julho deste ano. No Brasil, a fabricante de máquinas agrícolos perdeu cerca de dois pontos percentuais de participação e ficou com 50,9% de presença no primeiro semestre.
Carioba aponta que um dos motivos para a baixa é a perda de força do programa Mais Alimentos, que financia pequenos agricultores em até R$ 130 mil. A empresa aponta que a linha de crédito precisa ser reformulada para atender uma nova categoria de agricultores. “O programa é muito bom e já foi responsável pela venda de 43 mil tratores em três anos mas agora está saturado. O público alvo já foi atingido”, avalia.
Entre os desafios para recuperar o espaço perdido na América do Sul está avançar no segmento de colheitadeiras e manter o market share na área de tratores. A companhia também trabalha para aumentar a competitividade, com investimentos nas fábricas e em novos produtos. “A demanda por tecnologia está crescendo muito na região. Estamos ampliando a oferta de sistemas de controle de tráfego e piloto automático”, conta o vice-presidente.
Outro objetivo é aumentar a rede de distribuição, que hoje conta com cerca de 600 pontos de venda, 300 deles no Brasil, e ampliar a oferta de serviços. A empresa adiantou ainda que deve anunciar em breve um investimento na Argentina, já que o governo do País vizinho deixou de emitir licenças não automáticas para liberar a entrada de maquinário nacional.
Confira entrevista exclusiva com André Carioba, vice-presidente da AGCO para a América do Sul:
