
O executivo lembra que o auge da venda de tratores a partir da introdução do programa Mais Alimentos ocorreu entre 2009 e 2011 e que atualmente o ritmo de vendas do segmento está mais lento.
“Nossa meta aponta para um mix menos centralizado em até seis anos, quando tratores não devem ultrapassar 67% das vendas, dando mais espaço para os crescimentos progressivos de colheitadeiras, equipamentos de cana-de-açúcar, implementos e pulverizadores entre outros equipamentos”, conta o executivo.
Parte da estratégia para alavancar outros segmentos em que atua já saiu do papel: a maior parte de seu investimento previsto para a América do Sul em 2013, de US$ 80 milhões, é dedicada à modernização da fábrica de colheitadeiras localizada em Santa Rosa (RS), que recebeu US$ 35 milhões em um novo sistema de pintura, baseado em nanotecnologia, inaugurado em maio deste ano. Carioba explica que para o mercado nacional de colheitadeiras, a empresa traça como meta alcançar participação de 25% a 30% nos próximos anos: hoje, conta com 12% de market share neste mercado.
“Em colheitadeiras, tem muito espaço para crescer e vamos crescer. Ainda não sabemos como ficará a taxa do Finame PSI no ano que vem. Espero que o governo continue com esse apoio que é importante, não apenas para nós fabricantes, mas para nosso agricultor, mesmo que com taxas maiores, porque vai alimentar toda a nossa indústria, não só de máquinas, mas de outros ramos, como caminhões”, declarou.
Outros US$ 10 milhões estão sendo investidos na planta da Santal, em Ribeirão Preto, no interior paulista, que fabrica equipamentos para o plantio de cana-de-açúcar e da qual a AGCO adquiriu 60% das ações em 2012. O aporte contempla lançamentos como uma plantadora e uma nova versão de colhedora de cana.
“Com este investimento, prevemos que a participação da Santal no mercado de equipamentos da cultura de cana-de-açúcar passará de 2% para 5% já neste ano”, comemora Carioba.
A empresa planeja ainda outros aportes para as unidades de Mogi das Cruzes (SP) e Canoas (RS), mas não divulgou seus valores. Além do Brasil, outros mercados também recebem investimentos, como a Argentina: cerca de US$ 140 milhões foram aplicados na nova unidade de manufatura de tratores e motores na província de General Rodrigues, com previsão de inauguração no próximo 1º de outubro. Com capacidade produtiva de 3,5 mil tratores e 2 mil motores por ano, a planta equipará máquinas tanto da Massey Ferguson como Valtra.
“Vai depender do mercado o quanto vamos crescer para atingir a capacidade estabelecida, não há um prazo estimado, mas há espaço para expansão e para exportação para outros mercados da região, como Uruguai, Paraguai e Chile.”
No fim de setembro, a companhia abre na Rússia uma fábrica de tratores e colheitadeiras da Massey Ferguson e deve expandir também suas operações na China, com a montagem de tratores Massey Ferguson de baixa potência e aumentar as importações da Valtra a partir do Brasil e Finlândia.
AGCO EM NÚMEROS
Pela primeira vez, o presidente e CEO global da AGCO, Martin Richenhagen, visita a Expointer e aproveita para expor as expectativas do grupo com relação ao mercado sul-americano. Suas projeções indicam que a região deve ganhar o topo de importância ao encerrar o ano com salto participação na receita mundial, passando de 19% em 2012, quando a companhia faturou, pela primeira vez em sua história, cifra de US$ 10 bilhões, para 27% do faturamento de 2013, estimado em US$ 11 bilhões.
No guidance, a região Ásia Pacífico deve representar 24%, seguida por América do Norte, com 9%, e EAME (Europa, África e Oriente Médio), com 6%. Com a alta demanda por alimentos, a produção mundial de commodities será impulsionada pelos países emergentes, onde a empresa foca seus negócios e investimentos:
“O grupo está seguindo para mais um ano de recorde e o Brasil tem um papel muito importante neste resultado, com mais máquinas e tecnologia agregada para melhoria da agricultura”, enfatiza Richenhagen.
Para o executivo, a América do Sul deve apresentar neste ano o maior crescimento de vendas de tratores entre as regiões citadas, entre 15% e 20%, enquanto espera queda de até 5% no Leste Europeu e alta de 5% nos Estados Unidos. O grupo mantém o plano de investimentos para o ano, estimado entre US$ 400 milhões e US$ 455 milhões, dos quais mais da metade será utilizado na expansão e modernização de sites industriais.
“Além disso, este ano, investiremos 11% da nossa receita em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e modernização de processos”, conclui.