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Agrale aposta em híbrido para o transporte coletivo

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Giovanna Riato

25 jun 2010

4 minutos de leitura

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A Agrale apresentou nesta quinta-feira, 24, uma solução para o transporte coletivo urbano: um ônibus híbrido diesel/elétrico capaz de chegar a uma redução de até 40% no consumo de combustível e, consequentemente, na emissão de poluentes.

“É um modelo viável a curto prazo, já que não exige uma infraestrutura especial para implementação”, aposta Ubirajara Choairi, gerente de vendas da companhia. Batizado de Hybridus, o modelo esbarra no preço, estimado no dobro dos veículos convencionais. Ainda assim o valor fica abaixo das soluções totalmente elétricas ou dos híbridos importados.

Os responsáveis pelo projeto buscam firmar parcerias com os governos para impulsionar as vendas. Choairi revela que a companhia está preparada para começar a entregar o Hybridus já no início de 2011.

A empresa tinha negociações avançadas com a prefeitura de Santiago, no Chile, que foram interrompidas por conta do terremoto na região. O modelo foi exibido também em São Paulo.


Projeto

“Não há nada completamente novo no que estamos apresentando, mas sempre foi mais fácil utilizar motor a combustão. Por isso resolvemos dar este passo”. Foi assim que Pedro Soares, diretor técnico da companhia, começou a apresentação do modelo.

O Hybridus uniu algumas tecnologias já disponíveis e, por isso, precisou de apenas de 18 meses de desenvolvimento. A Marcopolo foi responsável pela carroceria, a Cummins forneceu o motor a combustão e a Siemens fabricou o equipamento de propulsão elétrica Elfa – Eletric Low Floor Axle.

O sistema dispensa o uso de baterias convencionais e, segundo a empresa, tem uma vida útil maior. São dois motores elétricos de tração e um motor auxiliar. O motor a diesel não movimenta o veículo diretamente e é acionado apenas para ajudar nas partidas, subidas e geração de energia. O conjunto total desenvolve 170 cavalos.

A fabricante explica que o modelo tem autonomia suficiente para um dia e meio de circulação em um centro urbano, onde os ônibus percorrem entre 200 e 300 km/dia.

O motor fica instalado na parte traseira. Segundo Agrale, o modelo é um dos híbridos com menor perda de espaço. Outros diferenciais são o câmbio automático, mais confortável para o motorista, e o piso baixo, que facilita o acesso.


Resultados

O Hybridus foi testado no Chile, Argentina e Caxias do Sul, RS. Segundo a empresa, os resultados mostraram vantagem maior em terrenos planos e centros urbanos, onde é necessário fazer mais paradas.

A economia média de combustível e redução nas emissões sobre um veículo comum foi de 25%. Soares explica que, quanto mais detalhado for o percurso a ser percorrido, maior a economia. “Os motores são utilizados apenas quando é necessário. Em paradas mais longas, como em semáforos, o veículo desliga. Se você souber que em seguida vem uma descida não será necessário ligá-los novamente”, esclarece.

Com isso, o engenheiro aponta que é possível chegar a economia de até 40% no consumo. Com redução na utilização dos motores o desgaste também é menor, a manutenção mais baixa e a vida útil mais longa. Soares aponta que o preço alto do veículo se paga em cerca de 12 anos de utilização se só o combustível for incluso na conta. “Se somarmos tudo certamente este tempo fica menor”, avalia.


Impressões

Como passageira, andar no Hybridus é realmente mais confortável. O modelo é bem mais silencioso e há a opção por desligar o motor a combustão sempre que o motorista não quiser fazer muito barulho, como em passagens nas proximidades de um hospital ou até em uma parada de ônibus.

A vibração interna também diminui muito e o acesso é bem mais fácil com o piso baixo. A única desvantagem ficou para espaço interno, um pouco menor do que o de um veículo comum.

O modelo disponibilizado para a imprensa testar tinha espaço para 73 pessoas: 20 sentados e 53 em pé. Pedro Soares, diretor técnico da Agrale explicou que os assentos são adaptados de acordo com a legislação de cada município.


Por Giovanna Riato, Automotive Business.