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Marta Pereira, AB
Como produzir veículos com DNA brasileiro, driblando preços de insumos, custo de pessoal e juros superiores aos praticados em mercados similares, para citar apenas alguns dos elementos que compõem o custo de fabricação local? Essa foi a pergunta básica do painel “Os desafios das operações automotivas”, coordenado por Sergio Pin, diretor da SAE Brasil e vice-presidente da Schaeffler América do Sul, com participação de Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën América Latina, e Luís Carlos Andrade Junior, vice-presidente Toyota Mercosul.
-Confira aqui a cobertura completa do Simpósio Tendências e Inovação na Indústria Automobilística
O debate ocorreu durante o Simpósio SAE Brasil Tendências e Inovação na Indústria Automobilística, nesta segunda-feira, 22, no Sheraton WTC, em São Paulo. Para o executivo da Toyota, o plano Brasil Maior tem o mérito de reconhecer a necessidade de tornar a indústria automobilística nacional competitiva e honrar os investimentos já realizados. “No entanto, estamos atrasados e há muita indefinição, o que nos impede de fazer estimativas mais precisas.”
O dirigente da PSA concorda que ainda é prematura qualquer avaliação do plano, mas recorda que foi um grande passo começar a discussão entre todos os envolvidos. Enquanto medidas concretas são debatidas, ambos os dirigentes avaliam o cenário atual e acreditam que as crises externas não afetarão o Brasil imediatamente, porque a economia nacional está “razoavelmente” blindada.
Particularmente ao setor automotivo, o mercado interno mantém o crescimento, mas em ritmo reduzido. “No segundo semestre, estimamos um incremento médio de 5%. Em 2012 devemos atingir 3,8 milhões de unidades comercializadas no Brasil, sendo que as importações, também em curva ascendente, devem responder por 1 milhão”, previu Andrade.
Para o executivo da PSA, o crescimento será menor, mas seguro, entre 4% e 6%. Com referência aos planos de cada marca, não há alterações. As obras da nova fábrica da Toyota, em Sorocaba, interior de São Paulo, estão dentro do cronograma. A perspectiva é entrar em operação no segundo semestre de 2012, com 1.500 empregos gerados diretamente, absorvendo a mão de obra que será preparada no parque tecnológico local, em desenvolvimento pela prefeitura, em parceria com o governo do Estado.
A PSA também mantém os investimentos na produção regional. “Só importamos os modelos que realmente não oferecem escala para fabricação aqui. Atualmente, 90% do que comercializamos no Mercosul é produzido no Mercosul. E acreditamos que é possível desenvolver ainda mais o conteúdo local”, garante Gomes.
Foto: Ruy Hiza