Os erros cometidos na condução da macroeconomia ao longo dos últimos cinco anos mais ou cedo ou mais tarde acabariam se refletindo em forma de aumento de inflação e aprofundamento da recessão. Sustentar vendas por meio de reduções temporárias de impostos se esgotou. Cria o indesejável efeito sanfona. As indústrias automobilística e de eletrodomésticos demoraram a perceber que o movimento de antecipação de compras cobraria alto ônus adiante. Ninguém pensou que ia dar errado, mas deu.
O consumidor reagiu indo em direção ao carro seminovo, assim considerado aqueles com até três anos de uso. Seu preço ficou atraente porque a desvalorização normal se deu a partir da referência de IPI reduzido e de antes do aumento de custos com os itens de segurança obrigatórios (airbags e ABS). No primeiro semestre deste ano pela primeira vez o número de veículos seminovos financiados ultrapassou o de novos.
Neste fim de 2015, porém, essa válvula de escape travou. Em outubro, a venda total de seminovos, usados jovens (quatro a sete anos), usados veteranos (oito a onze anos) e velhinhos (12 anos ou mais) recuou 9% em relação a setembro. É possível que a única boa notícia do ano – comercialização de usados em alta sobre 2014 – nem se confirme.
Ajudaria a oxigenar o mercado se o sistema de consórcio fosse alterado. O estoque de cotas contempladas sem que o consorciado retire o bem para o qual se inscreveu acaba gerando distorções. No passado havia um prazo de três meses para o interessado decidir o que comprar. Essa obrigatoriedade foi revogada em tempos de congelamento de preços, há 20 anos, quando um carro usado chegou a ser mais caro que um novo em razão de planos econômicos heterodoxos sempre fracassados.
O consórcio hoje se tornou mais um instrumento de poupança paralela, sem nenhuma ação de equilíbrio entre tempos bons e bicudos da produção de bens. Não comprar nada significa um bom investimento com correção garantida e baixo risco. Por isso bancos de varejo passaram a atuar neste segmento de olho na polpuda taxa de administração.
Devolver uma cota contemplada, depois de noventa dias, para uma nova rodada de sorteio e lance pode melhorar sensivelmente a mecânica de funcionamento de consórcios. Se alguém não está com pressa ou não pode comprar no momento o seu veículo novo ou usado, que ceda a vez a outro que aguarda a oportunidade muitas vezes com ansiedade para ter acesso ao bem. O direito do consorciado que abriu mão de sua contemplação seria naturalmente restabelecido, pois voltaria a concorrer em novo sorteio.
Uma mudança da regra atual poderia aquecer a economia, sem gerar efeitos colaterais ruins no combate à inflação.
RODA VIVA
PRIMEIRA renovação em cinco anos do Citroën Aircross, principalmente grade e faróis, acrescentou versão de entrada por R$ 49.990 sem estepe externo. Conforme esta coluna adiantou, o monovolume C3 Picasso parou. Motor flex de 1,5 L/93 cv (etanol) ainda mantém partida a frio auxiliada por gasolina. Com motor de 1.6 L/122 cv e câmbio automático sai a R$ 58.900.
AIRCROSS evoluiu em economia de combustível porque está até 45 kg mais leve, utiliza agora direção eletroassistida, pneus verdes e diferencial alongado em 5% para alcançar nota A no programa de etiquetagem veicular. Tela multimídia de 7 polegadas e câmera de ré estão na versão de topo por R$ 69.290. Suspensões recalibradas melhoram a dirigibilidade e o conforto de marcha.
OITAVA geração do Passat acaba de chegar. Estilo segue a escola evolutiva da marca, porém sua estrutura está mais rígida. Motor de 2 litros, turbo, sistema de injeção dupla, 220 cv/35,7 kgf.m e câmbio automatizado de 6 marchas formam um conjunto instigante e eficiente. Bom espaço atrás. Impostos empurram preço para R$ 144.500.
PERUA Mini Clubman Cooper S é pouco fotogênica. Precisa ser vista ao vivo para se mudar de opinião e entender sua proposta alternativa aos SUVs e crossovers atuais. Dimensões internas estão entre os pontos altos, mas o porta-malas de 360 litros fica no limite do aceitável. Motor 2 litros turbo de 192 cv garante agilidade. Suspensão é dura como o preço de R$ 179.950.
ENTRE as surpreendentes mudanças de comportamento no mercado brasileiro está a escolha do câmbio automático. Peugeot, em campanha por tempo limitado, oferece essa opção sem custo, equivalente a um desconto em torno de R$ 4.000. No site de classificados Webmotors a oferta de veículos com câmbio automático cresceu 30% em um ano.
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