
A ideia ali é trabalhar pela sustentabilidade do negócio no longo prazo e apoiar a área de estratégia da companhia. O departamento nasceu em 2014 e, portanto, tem o Futuro das Cidades como um de seus primeiros projetos. “Nosso objetivo como empresa é, a partir desta iniciativa, identificar produtos, serviços e tecnologias que podemos oferecer. Queremos estar prontos para atender às novas demandas que virão no futuro”, resume. Ao mobilizar empresas, comunidades, especialistas, ativistas, universidades e agitadores culturais para debater o assunto, a montadora consegue resultados bem mais importantes.
“Criamos um espaço de conhecimento sem polarização. Ninguém está lá para ser partidário do carro ou da bicicleta. O olhar contemporâneo é que cada meio de transporte tem potencialidades e limitações. São complementares”, diz. Para criar uma conversa tão plural, a companhia buscou reunir no projeto especialistas em urbanismo, em tecnologia e em pessoas, com a participação da USP Cidades, do Cesar, centro de software de Pernambuco, e o projeto Cidades para Pessoas. “Temos mais de 250 especialistas envolvidos”, conta Silveira.
MOBILIDADE É ACESSAR OPORTUNIDADES
O time orbitando em torno do Futuro das Cidades se debruçou para estudar os 38 maiores municípios brasileiros para entender como surgiram, cresceram, desenvolveram legislação e mobilidade. “Fizemos estudos e dinâmicas com o público para pensar nas cidades que temos e projetar as que queremos”, conta. O primeiro passo foi definir, afinal, o que é mobilidade. “Não é trânsito e não dá para resolver alargando a pista. Mobilidade é a possibilidade que as pessoas têm de acessar oportunidades”, resume.
Por este ponto de vista, o projeto identificou que há um mal comum entre as grandes cidades brasileiras. O padrão de crescimento faz com que as oportunidades se concentrem em regiões centrais, que ficam muito valorizadas. Com isso, a população precisa morar distante, o que gera congestionamentos e falta de acesso. Silveira diz que é preciso fazer dois movimentos simultâneos: aproximar pessoas das oportunidades e levar oportunidade para as pessoas.
Ele compara a dinâmica urbana com a da tecnologia “Temos a Ponte Estaiada, por exemplo, que é um hardware sensacional, mas só roda um programa bem iniciante porque ali só passam carros.” O bom exemplo, diz, é a avenida Paulista. “Um hardware poderoso capaz de rodar uma série e softwares: tem ciclovia para bicicletas, faixa exclusiva de ônibus, via para carros e acessibilidade nas calçadas para pessoas com deficiências físicas e visuais. Aos domingos a avenida ainda se transforma e leva um espaço de lazer para a população.”
Entre encontros, debates e estudos, a primeira etapa do projeto, completamente focada no diálogo, foi concluída em 2016. Agora ao caminho é buscar soluções e seguir alimentando essa rede. “As cidades são orgânicas. então é um trabalho contínuo”, diz. Na nova etapa e empresa pretende ampliar o escopo e abrir para que todos participem, com ação colaborativa que deve ser lançada até o meio do ano para abordar o bem estar nas cidades.
No meio deste processo, a FCA passou de audiência passiva do debate sobre mobilidade para se tornar agente e articuladora desta questão. Silveira fala do assunto em eventos por todo o País e, em 2016, foi convidado a mostrar apresentar a experiência do Futuro das Cidades no SXSW, principal evento de inovação do mundo, que acontece em Austin, nos Estados Unidos.
