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de carro por aí

Alfa com plataforma Mercedes e motor Ferrari. É a globalização

Alficionados , os fãs de Alfa Romeo aguardam uma definição da controladora Fiat. Navegando entre quedas de vendas, de participação, prejuízos no mercado italiano, e sobrevivência de ser estrangeiro entre herdeiros titulares da companhia, Sergio Marchionne, canadense, executivo número um, deu novos sinais. A Alfa terá, além dos carros menores e do produto desenvolvido sobre a antiga – e boa e resistente – plataforma do Marea – antecipado mundialmente pela Coluna -, produto comum com a Chrysler, automóvel maior, com a tradicional tração traseira.
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Redação AB

20 dez 2012

9 minutos de leitura

Curiosidade no universo de apreciadores de marca, ainda apegados aos valores antigos, como a tradição, a composição do automóvel pode chocar: plataforma do novo Chrysler 300, base do sedã Mercedes-Benz Classe E. O motor, Ferrari pequeno, V6, 3.000 cm3, 410 cv de potência. Transmissão mecânica, automatizada por dupla embreagem, possivelmente Fiat, tração traseira.


Outro mercado

Marchionne tenta achar caminhos para chegar a produtos comuns. Nos menores em tamanho, motorização e preços, para faixas inferiores de mercado, os novos Alfa dividirão plataforma e mecânica com Fiats; médios com a Chrysler; para clientela superior, o grande Alfa será interpretação do Maserati Quattroporte, sedã esportivo focando competir com Porsche Panamera e BMW Serie 7. Utilizará a plataforma Mercedes, motor maior, produzido na Ferrari, V8, 3.800 cm3, e 510 cv de potência.

O Quattroporte é primeiro resultado do investimento de € 1,2 bilhão na Maserati, lançado na semana passada com a aparentemente entusiasmada missão de vender 13 mil unidades em 2013, e atingir 50 mil vendas no próximo exercício. 2012 deve fechar com distantes 6 mil e poucas unidades. É uma incógnita. Custa € 150 mil, contra 141 mil pedidos pelo Panamera, e terá foco nos dois maiores mercados do mundo: EUA, para clientes acima da crise, e China.


Maserati 2013, Alfa 2014

Pergunta instigante, porque a mistura de tantas marcas num carro só? Simples entender. A tomada de controle da Fiat sobre todas as marcas italianas – exceto Lamborghini, assumida pela Audi – padronizou produção de plataformas e motores. Assim, o motor V8 feito na fundição da Ferrari, em Maranello, é vendido em gradação: com cabeçotes e regulagens e produto Alfa custa x; se Maserati, mais x; e muitos x quando num carro com emblema Ferrari. Não é questão de técnica, disputa, mas coisa simplória, de marketing. Um Maserati tem posição mais refinada e superior a um Alfa, e um Ferrari gravita acima de todos os italianos.

E a plataforma? Indagará, árdego (apressado, incontido) leitor. Fácil. A compra da Chrysler pela Mercedes fez migrar tecnologia e padronização de produtos. Negócio acabou, a Chrysler passeou pela rua da amargura e acabou recebida e controlada pela Fiat, que encontrou coisas boas: produtos com base e tecnologia Mercedes – o Cherokee sobre plataforma dos Mercedes ML, e o novo 300 tem com base a Classe E -; e rede com 2,3 mil concessionários.

Nesta postura industrial, quem olha Maserati vê a trilha a ser seguida pela Alfa: utilitário esportivo já batizado Levante, e sedã pequeno, o Ghibli – nome de esportivo da marca nos anos ’70. Neste, caminho inverso – tração dianteira -, gerador versão de Dodge, de Alfa e, como anunciado, Maserati mais barato.


De Alfas

A fórmula de personalizar produtos com estrutura e motorização básica comum, diz a Fiat, gerará 9 modelos Alfa até 2016, a partir de três plataformas – Punto, ex-Marea, Mercedes E – com variáveis em tamanho, formas e potências. Para o Brasil, especula-se a adequação dos Alfa MiTo para comercialização através dos revendedores Chrysler. Entretanto, considerada a escala diminuta não parece negócio atrativo a ser aceito pela rede Chrysler, que se desdobrará para distribuir e assistir a marca.

A produção do veículo baseado na plataforma do Marea e com motorização Fiat 1.4 Turbo, gerando produto Chrysler aqui a ser chamado de Dodge Dart, e outro, Alfa, com variações de estética e de acertos mecânicos para ter espírito diferenciado, está indefinida. Era prevista imaginária fumacinha branca saindo da sala do Comitatto – o comitê gestor da Fiat Automóveis – anunciando um Habemus Alfa, mas o ano acabou para as decisões da marca ou fumaça indicando início do projeto na cidade industrial que a Fiat monta em Goiana (PE).

Aliás, no espírito da Coluna, para acicatar novas histórias, duas notícias: fornecedor da Fiat chegou a 250 cv de potência no pequeno motor 1.4T. A cavalagem é mais que a necessária para diferenciar a versão Fiat da versão Dodge. Outra, a Fiat analisa desenvolvimento e testa Punto tracionado por motor EtorQ 1.8 com turbo. Mudanças em comandos de válvulas, programa da injeção, soprando suaves 0,6 bar acusa 240 cv e arranha 30 quilos de torque desde as baixas rotações.

Maserati

Maserati Quattroporte. O grande Alfa será versão.

Roda-a-Roda

Que coisa – Ninguém sabe ou projeta a penetração da internet na vida da gente. Exemplo recente a JAC Motors colocou filminho no Youtube, com o novo modelo J2 no tema “Parado é pop, andando é rock” , enfatizando o rendimento pelo baixo peso e o motor 1.4 VVT com 108 cv.
O que – Dura 60s, criado pela agência Ogilvy & Mather, trilha sonora Highway Star da banda inglesa Deep Purple. Em 42 horas de exibição 1 milhão de acessos. Veja aqui.

Caminho
– Tração integral, com o refinamento do torque variável, até agora equipamento para veículos de maior preço, tem novo foco pela Mercedes-Benz: carros menores, com motor transversal, os Classe A e B. Na prática sinaliza, a empresa espera grande crescimento neste segmento, o que inclui, como a Coluna antecipou mundialmente, o sedã Classe A produzido em Rezende, RJ.
Negócio – Forma jurídica de mandar mais, repassar tecnologia para ampliar vendas, mercados e garantir sobrevivência, a aliança Renault-Nissan e a Russian Technologies fizeram joint venture. O mercado russo é o terceiro para a Aliança e projeta-se será, a médio prazo, o maior da Europa.

Grana
– Da mesma Renault, decisão de vender sua participação na Volvo Caminhões, recebendo e aplicando os US$ 1,92 bilhão na operação automóveis.

De fora
– Jaguar Land Rover, empresa controlada pelo indiano grupo Tata, assinou memorando para instalar fábrica para 50 mil Land Rover/ano, na Arábia Saudita, utilizando alumínio e aço locais. Decisão sobre fábrica no Brasil, nada.
Prêmio – O pequeno Fiat 500 começa carreira ascendente no Brasil. O prêmio “Os Eleitos” da revista 4 Rodas apurou 103,3 pontos, total nunca alcançado nas 11 edições anteriores. O número, acima de 100, indica para os 2.544 proprietários consultados, o carro supera as expectativas.

Casamento
– A Randon S.A. com sede em Caxias do Sul (RS) aplicará R$ 500 milhões em fábrica em Araraquara (SP): vagões ferroviários. A cidade é cruzamento de estradas de ferro e está em área de produção sucroalcooleira. Já acertou com a Vale o fornecimento de 403 vagões.

Hermanos – Consequência da prensa que Dona Cristina Kirshner aplicou nos frequentadores do mercado argentino, exigindo nacionalização, a Agrale lá ampliará investimentos na fábrica de chassis para ônibus e aplicará US$ 12,5 milhões no fazer tratores.

Concentração
– A organização mundial da Fiat concentrará empresas: Iveco, de motores, câmbios, caminhões e ônibus, e outras marcas, como Magirus, e a área de tratores e colheitadeiras hoje sob a sigla CNH, em empresa única subdividida em continentes.

Efeito
– A América Latina será comandada por Marco Mazzu. A designação parece um trilho para levá-lo à posição regional de Capo di tutti Capi, hoje exercida por Cledorvino Belini.

Menos uma
– Outra empresa brasileira assumida por capital estrangeiro. A pioneira Branco Motores agora é da norte americana Briggs & Stratton. R$ 57 milhões.

Si, señor
– O Centro de Experimentação e Segurança Viária, Cesvi, da Argentina, concedeu dos prêmios aos Ford New Fiesta e Transit considerando-os Carro e o Furgão curto mais seguros.

Regra – A partir de fevereiro os motoboys, agora pomposamente ditos motofretistas, serão fiscalizados para conferir se fizeram curso de formação. As motos deverão ter placa de aluguel e equipamentos aptos à função.

Acidentes
– Fez-se o óbvio: o Ministério da Justiça juntou o de Transportes, Cidades e Saúde em torno da operação Rodovida 2012/2013, para reduzir acidentes nas estradas. Justificou José Eduardo Cardozo, da Justiça, a queda de 16,8% nas mortes com o Rodovida 2011. Fiscalização, bafômetros para mudar a tradição mortífera no fim do ano. Idéia boa, mas resta saber se haverá a parte educativa ou apenas o faturamento pelas multas por pardais ou conversinhas de Polícia Rodoviária a respeito da sede ou do custo de vida.

Antigos
– Mais divertido dos eventos antigomobilísticos, o “Pé na Tábua – Corrida de Calhambeques” de 25 a 27 de janeiro, em Franca (SP), inscrições abertas. Tem os dois extremos: velocidade e marcha lenta. Primeira modalidade, esqueça: o tri campeão de Fórmula 1 vai para ganhar. Na prova de marcha lenta ganha o Fordeco que mais demorar para andar entre duas marcas e, o piloto caminha ao lado do carro, acertando os bigodes, as varetas que comandam acelerador e ignição sob o volante. Mais? Clique aqui.

Corrida
O gaiato cartaz do Pé na Tábua.

Namoro – Finalmente Eduardo Pessoa de Melo, presidente do Auto Union DKW Club do Brasil, conseguiu se aproximar da Audi – marca sobrevivente à Auto Union. Para comemorar 33 anos do clube faz passeio de São Paulo a Jundiaí, 60 km, visita ao Centro de Peças e Competência Tecnológica e ouvem palestra sobre as novidades tecnológicas dos novos Audi.

História
– É desconcertante a maneira pela qual quase todas as fábricas e importadoras de veículos no Brasil desprezam sua história. Algumas mantêm grandiosos museus no país de origem, mas aqui agem como colonizadores em fugaz passagem, sem compromisso com o passado ou o futuro.

Marcos
– No caso Audi, para lembrar, a Auto Union teve representação oficial no país; enorme presença através da Vemag autora de quase 120 mil unidades; foi recordista mundial em vitórias em corridas; conseguiu a maior potência sobre os motores 1.0; bateu o recorde brasileiro de velocidade. Os intelectuais de marketing da Audi não capitalizam isto.