
Vilmar Fistarol, vice-presidente mundial de compras da organização, afirmou que é preciso modernizar o parque de fornecedores. Segundo ele, o Brasil traz uma séria de desafios, com deficiências na área de infraestrutura e escassez de mão de obra qualificada, mas, além disso, “alguns elos da cadeia não estão fazendo a sua parte. É preciso empenho no fornecimento de produtos e serviços em nível mundial.”
Para atender a essa demanda, Fistarol sugere que as empresas adequem a produção às práticas World Class Manufacturing (WCM), elevando a qualidade e alcançando excelência no fornecimento. Ele lembra que, enquanto apenas 37 parceiros da América Latina seguem estes preceitos, na Europa 200 fabricantes de autopeças já seguem essas regras em busca do aumento da produtividade. “O tempo é agora. Quem não estiver preparado não poderá atender nossa próxima geração de veículos”, determina.
Não à toa o tema do Qualitas 2013 foi “Mãos no presente. Olhos no futuro.” O aumento do nível de exigência sobre a cadeia de suprimentos pretende atender o One Voice, que torna as compras mundiais um processo único. O programa, anunciado no ano passado pretende desenvolver fornecedores e, de forma colaborativa, promover a melhoria contínua com estratégias de longo prazo com os parceiros da companhia.
IMPACTO DO INOVAR-AUTO NAS COMPRAS
O Grupo Fiat Chrysler ainda não sabe medir as alterações que as exigências do Inovar-Auto causarão na área de compras, já que algumas regulamentações ainda estão pendentes. Cledorvino Belini, presidente da companhia para a América Latina, reconhece que o novo regime automotivo tornará ainda mais necessário o fortalecimento da parceria com os fornecedores e revela que já tem uma meta traçada. “Queremos superar o investimento em inovação imposto pelo programa.” Ao exceder a meta, o executivo pretende garantir incentivos fiscais.
Segundo ele, é essencial intensificar a cooperação com os fornecedores para que a companhia cumpra metas de inovação, pesquisa e desenvolvimento e engenharia. O executivo lembra que o Brasil ainda ocupa posição modesta em rankings globais de competitividade e enxerga a política industrial como um bom empurrão para que o País avance. “A inovação tem de estar em todas as etapas do processo, desde a matéria –prima até o mais sofisticado dos componentes.”
Belini tem ressalva apenas para um dos aspectos dos novo regime automotivo que afeta os fornecedores: a verificação da origem das autopeças. Ele teme que, para rastrear o local de produção de componentes, o governo aumente ainda mais a burocracia do setor. A empresa seria fortemente afetada por medidas que tornassem a compra de insumos mais lenta e custosa, já que depende de sua cadeia de suprimentos para 70% dos componentes.
Assista à entrevista exclusiva com Cledorvino Belini, presidente do Grupo Fiat Chrysler para a América Latina:
