Sinal dos novos tempos, a Ferrari apresentou sua primeira incursão aos motores a álcool. Nada mais fácil de desenvolver, porém lá estava o 430 Spider Biofuel, com 10% de ganho em potência. Na mesma linha ecológica estreou a marca californiana Fisker: um passo à frente com o Karma, carro esporte híbrido que combina motor convencional e elétrico. Terá preço atrativo de US$ 80.000, cerca de 50% mais caro que um Corvette. Este, aliás, uma das atrações, na impressionante versão ZR1, de 620 cv.
As marcas americanas recuperaram prestígio junto à imprensa especializada americana. Motor Trend, Auto Week e uma associação de jornalistas elegeram, em destaques do ano, Cadillac CTS, nova F150 e Chevy Malibu. Pickup Dodge RAM redesenhada ganhou inteligente compartimento embutido nas laterais da caçamba. GM e Ford revelaram novas estratégias para enfrentar, simultaneamente, escalada de preço da gasolina e emissões de CO2.
A Ford anunciou nova geração de motores com injeção direta e turbocompressor, seguindo os passos da Volkswagen na Europa. Dentro do cenário americano, a empresa destacou que essa tecnologia se paga em 2,5 anos com a economia de combustível, enquanto um motor diesel leva 7,5 anos e um híbrido, nada menos de 12 anos. Seria a resposta ao esforço dos europeus em vender lá motores a diesel e aos japoneses, centrados nos híbridos. A Toyota, contudo, admitiu no salão que precisa explorar algo além dessa tecnologia.
Por outro lado, a GM anunciou apoio financeiro à pequena empresa de pesquisa Coskata, que pretende produzir álcool a partir de resíduos agrícolas e orgânicos a um preço muito menor e de forma sustentável. Pela primeira vez, um grupo automobilístico se envolve diretamente na obtenção de combustível. GM aposta que um terço do petróleo será substituído pelo álcool nos EUA até 2030.
Agora, além dos japoneses, os coreanos se insinuam em novos segmentos. A Hyundai lançou seu primeiro sedã premium com motor V8 e tração traseira. O Genesis tem porte de BMW Série 5 ou Mercedes Classe E e preço bem inferior. O espantoso crescimento dos crossovers (misto de utilitário e station) atraiu a Toyota com o interessante Venza e a Mercedes, com o futuro GLK, de linhas um tanto discutíveis. Já o Passat CC, na moda do cupê de quatro portas, foi muito bem recebido em Detroit.
Para o Brasil, além do crossover Ford Edge importado do Canadá, veio a confirmação do atraente utilitário Chevrolet Captiva que, trazido do México sem imposto de importação, terá preço competitivo. O compacto Aveo, produzido na mesma fábrica, poderia chegar também, mas haveria conflito com o Corsa. E o compacto Verve, sucessor do Fiesta, exibido na versão sedã em Detroit (ao lado do hatch), tem tudo para ser produzido em Camaçari (BA) e exportado, para toda a América, da Argentina ao Canadá.