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Altran aposta em inovação automotiva no Brasil

Paulo Ricardo Braga, AB
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29 jul 2010

4 minutos de leitura

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Rieder Kirstan, principal executivo da Altran Technologies na área automotiva, visita o Brasil esta semana com a missão de reconhecer oportunidades e traçar estratégias regionais para a consultoria global especializada em inovação, engenharia, gestão, estratégia e tecnologia da informação. Na agenda apertada ele reservou duas horas para uma entrevista com Automotive Business, em São Paulo, no Hotel Sheraton WTC.

A companhia, presente no País desde 1999, com escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, mobiliza nada menos que três mil engenheiros, em todo o mundo, especializados em indústria automobilística, transportes terrestres, logística e infra-estrutura.

A indústria automobilística é um dos alvos principais nos planos de crescimento da Altran, especialmente entre montadoras e fornecedores de autopeças e sistemas de primeiro nível. No contato com executivos locais, Kirstan traz cases de sucesso registrados em outros países no campo da inovação e racionalização no consumo de energia.

Para o executivo, que fica nos escritórios de Munique, o mercado local traz diferenças importantes em relação ao alemão, que acaba de retomar do Brasil a quarta posição no ranking dos maiores mercados de veículos. Lá os carros agregam elevado conteúdo para atender um público exigente e disposto a pagar mais pela eficiência energética e redução de emissões. Aqui o portifólio reúne veículos de entrada, enquanto surge uma oferta de compactos premium e veículos médios.

Outra diferença anotada pelo executivo está na cadeia de produção. Na Alemanha os fabricantes de componentes básicos estão bem capitalizados e prontos a investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação. No Brasil acontece o oposto, o que chega a trazer sérios obstáculos ao fluxo de componentes no supply chain.

Para Kirstan, é indispensável resolver essa questão na área de autopeças a partir de soluções compartilhadas, possivelmente com programas especiais e incentivos à categoria: “Com a crescente complexidade dos projetos globais e avanço da eletroeletrônica torna-se vital para o setor estimular esses players e elevar o nível de competitividade”.


Energia

O diretor entende que o Brasil encontrou uma ótima solução com o motor flex e o etanol para resolver o problema das emissões veiculares, à medida que as tecnologias para eletrificação dos automóveis avançam lentamente e há uma troca crescente de sistemas mecânicos por eletrônicos.

Ele reconhece que no caso de veículos leves será necessário tempo para essa consolidação — em dez anos haverá apenas 1% a 2% de carros elétricos na Alemanha. O desafio? “São as baterias, a alma do negócio” – alerta. O Brasil pode ficar atrasado no desenvolvimento de elétricos e híbridos, mas terá oportunidade de adquirir projetos e tecnologias prontas no futuro.

“Ao contrário do que acontece no Brasil, há um esforço importante na Europa, Ásia e Estados Unidos em direção aos elétricos”, justifica. “Na China, em particular, há um empenho grande do governo nesse sentido”.

Por outro lado, o diretor da Altran tem expectativas radicais sobre o desenvolvimento do powertrain híbrido na área de veículos comerciais. Para ele, em menos de dez anos caminhões e ônibus com propulsão elétrica e a combustão combinadas representarão cerca de 20% na demanda de novos veículos.

Energia, no seu entender, é um motivo de preocupação global em todos os segmentos industriais e atividades. A Altran tem concentrado esforços em oferecer soluções nessa área, reunindo especialistas em off shore, distribuição e energias renováveis.

“O uso eficiente das fontes energéticas assume dimensão extraordinária, passando pelo desenvolvimento de novas fontes e também por ganhos meticulosos. Hoje questionamos até mesmo se o levantador dos vidros de um carro deve ser elétrico ou manual”, conclui.