
A relação das aplicações em que o alumínio receberá destaque inclui peças forjadas ou fundidas sob pressão, blocos, cabeçotes e tampas de cabeçote para motor, caixa de transmissão, cárter de óleo, coletores de admissão, rodas de alumínio forjadas, cilindros de alumínio para motores a gasolina, pistões para motor a diesel e gasolina e chassis.
Com destaque para blocos e transmissão, o alumínio deverá conquistar participação em sistemas de powertrain, exigindo investimentos em tecnologias de precisão e ligas especiais. A demanda atual é de 250 mil blocos de motores de alumínio (a capacidade é de 300 mil unidades), mas a projeção para os próximos cinco anos aponta para 2 milhões de unidades, enquanto a produção de veículos avançará para 5 milhões.
Depois da introdução dos motores Ford Sigma, feitos de alumínio, foi a vez de a Volkswagen lançar o EA 211 de três cilindros, que ganhará a companhia de outros propulsores do mesmo material. O emprego de alumínio será crescente nos lançamentos de veículos populares, que somam hoje cerca de 3,4 milhões de unidades e passarão por uma evolução significativa ante a crescente competição no mercado e exigências contidas no Inovar-Auto que impulsionarão a adoção de novas tecnologias e maior eficiência energética. A demanda pelo material deve se expandir entre montadoras como Fiat, GM, Peugeot, Nissan e Renault, Honda, Toyota e Volkswagen e, mais adiante, Audi, BMW, Jaguar, Land Rover, Mercedes.
O setor de autopeças prevê, ainda, transformações no segmento que produz componentes de alumínio para veículos leves, fruto de investimentos e de um movimento de fusões e aquisições entre empresas especializadas na transformação do material.
MOTORES
A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) confirma as expectativas sobre a evolução do alumínio na indústria automobilística, evidenciada no crescimento das aplicações no segmento de transportes, o segundo em importância na demanda do material. Segundo Ayrton
Filleti, coordenador da comissão técnica e do comitê de mercado de transportes da entidade, os veículos brasileiros utilizam em média 50 quilos de alumínio (a quase totalidade de peças fundidas), enquanto os norte-americanos chegam a 154 quilos e os europeus a 140 quilos.
Filleti aposta em crescimento do uso do alumínio como forma de diminuir a massa dos veículos e trazer ganhos no consumo de combustível, com consequente redução de emissões. Para ele, esse é um dos propósitos do Inovar-Auto, ao trocar pontos do IPI por maior eficiência energética. Ele cita, como exemplo, uma próxima geração de motores da Fiat, com blocos de liga de alumínio em vez de ferro fundido. A PSA Peugeot Citroën também prepara uma família de motores com o mesmo material.