
A Toyota não é lá uma campeã no relacionamento com a imprensa. A empresa costuma divulgar notícias com parcimônia, o que leva os jornalistas a reclamar muitas vezes da demora em receber informações sobre operações e veículos que chegam à plataforma de lançamento. Talvez por isso mesmo, a presença do vice-presidente sênior para o Mercosul, Luiz Carlos Andrade Júnior, como palestrante no simpósio Tendências na Indústria Automobilística, promovido pela SAE Brasil em 22 de agosto, tenha sido uma surpresa positiva para quem não o conhecia.
O diretor da montadora japonesa, cuja origem no País remonta ao início da história do parque industrial, com a montagem do jipe Bandeirante, demonstrou flexibilidade para tratar de questões que podem ser consideradas embaraçosas, como recalls e a vulnerabilidade da marca ante o tsunami que derrubou a cadeia de suprimentos no Japão, afetando a produção das montadoras. A escassez chegou a provocar ajustes na programação das fábricas de Indaiatuba, SP, e Zárate, na Argentina.
“Aprendemos bastante com o que aconteceu. A corporação tomou decisões estratégicas importantes, como depender menos de fornecedores únicos ou concentrados em apenas uma região”, explicou. Ele admitiu que a Toyota enfrenta com coragem, também, os efeitos danosos provocados pela série de recalls que teve início com os casos de acelerações indesejada em veículos — até hoje não muito bem esclarecidas e atribuídas ao enrosco dos tapetes.
Para o executivo da Toyota, o plano Brasil Maior reconhece a necessidade de tornar a indústria automobilística nacional competitiva e honrar os investimentos já realizados. “No entanto, estamos atrasados e há muita indefinição, o que nos impede de fazer projeções mais seguras”, afirmou durante o simpósio. Ele projeta evolução de 5% no mercado até o final do ano e a comercialização de 3,8 milhões de unidades em 2012. O avanço deve ser abastecido por veículos estrangeiros, em grande parte: “A curva das importações é ascendente e pode chegar a um milhão de veículos.”
A transparência demonstrada por Andrade é oportuna, em momento que coincide com a construção da segunda fábrica de veículos, em Sorocaba, SP, e exigirá um esforço de comunicação da Toyota no relacionamento com seus diferentes públicos. Uma providencial repaginação do site na internet dá outros sinais dessa abertura e traz diversas novas opções para os internautas, que podem ser conferidas em www.toyota.com.br.
Carreira nas áreas financeira e automotiva
Paulistano, 57 anos, Andrade é economista pela PUC, fez pós-graduação na FGV, em São Paulo, e frequentou cursos no Instituto General Motors, em Birmingham, na Inglaterra (análise de crédito), e em Flint, Michigan, EUA (gerenciamento de operações internacionais).
O executivo assumiu a posição atual na Toyota em setembro de 2001 e responde também como diretor do Banco Toyota desde 1999. Atuou no Banco General Motors, em São Paulo, de 1993 a 1999, e na General Motors Acceptance Corporation (GMAC), em Lisboa, entre 1988 e 1992, como general manager, depois de uma passagem pela empresa como analista de projeto em Bruxelas, na Bélgica, em 1988.
Andrade trabalhou em diversas funções na Financiadora General Motors entre 1981 e 1988, depois de passar pela GMAC, em Flint, de 1980 a 1981. A carreira profissional começou na General Motors do Brasil, em 1979, como supervisor de O&M, e prosseguiu na empresa até 1980, com passagem pela área de auditoria.