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Anfavea adia revisão das projeções de vendas

A queda de 28,6% dos licenciamentos de veículos no primeiro trimestre de 2016 na comparação com igual período do ano passado não foi suficiente para que a Anfavea revisasse suas projeções de vendas para o ano. Os emplacamentos totalizaram 481,3 mil unidades nos três primeiros meses do ano, o menor volume desde 2006 para um primeiro trimestre, quando foram licenciados 417,6 mil veículos. Ao apresentar o desempenho do setor na quarta-feira, 6, em São Paulo, Luiz Moan, em seu último encontro com a imprensa à frente da entidade, admitiu a necessidade de refazer os cálculos após o fechamento do período acumulado do ano.
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Redação AB

06 abr 2016

3 minutos de leitura

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-Veja aqui os dados da Anfavea

“Precisamos aguardar ainda um pouco mais para fazer uma previsão mais sólida, mais consistente”, afirmou. Por enquanto, o executivo manteve as projeções que a entidade divulgou no início de janeiro, que preveem um mercado 7,5% menor que o de 2015, para algo como 2,37 milhões de unidades, entre leves e pesados (leia aqui).

Moan personificou a frustração da indústria com relação ao desempenho das vendas em março. Embora o mês tenha encerrado com 22 dias úteis, a média diária ficou em 8.146 unidades/dia, volume tecnicamente estável sobre as 8.156 unidades/dia registradas em fevereiro, quando houve apenas 18 dias úteis.

“Já esperávamos que os meses de janeiro e fevereiro fechariam em patamares menores de vendas sobre os meses correlatos de 2015, mas aguardávamos o crescimento da média diária em março, o que não aconteceu. Por isso, um mês é muito pouco para termos uma visão mais clara e para poder fazer a nova projeção para o ano”, explicou.

Apesar disso, o volume total em março superou o de fevereiro em 22,1%, passando de 146,8 mil para 179,2 mil unidades, incluindo leves e pesados. Contudo, sobre março de 2015, quando os emplacamentos somaram 234,6 mil unidades, houve queda de 23,6%.

MENOS VENDAS, MENOS FINANCIAMENTOS

Considerando os licenciamentos do acumulado do ano, este também foi o menor índice da participação dos financiamentos nas vendas. Entre janeiro e março, apenas 51,4% dos veículos vendidos no Brasil foram financiados, o pior índice da série desde 2005. Segundo a Anfavea, a média sempre esteve acima de 60%, chegando a picos de 65% em alguns anos.

“A conjunção de dois fatores está diminuindo os financiamentos: primeiro, a queda do nível de confiança, muito retratada pelo desemprego, e segundo, a restrição do sistema bancário para o acesso ao crédito”, explicou Moan. Ele acrescentou que uma vez que as vendas por consórcio estão crescendo a entidade considera a possibilidade de repetir neste ano a campanha Festival do Consorciado, cuja primeira edição realizada em 2015 e em parceria com a Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios) rendeu a entrega de 150 mil veículos (leia aqui).

LEGADO

Em seu último mês como presidente da entidade (Antônio Megale, da Volkswagen, foi eleito novo presidente e tomará posse no próximo 25 de abril), Moan se despediu reforçando os pleitos que liderou ao longo dos 3 anos de sua gestão, entre eles o programa de Sutentabilidade Veicular, que engloba entre outras medidas a renovação da frota.

“Continuamos trabalhando com as áreas técnicas do governo para viabilizar [o programa de renovação de frota] e para que possa ser anunciado ainda este ano. O desafio que estamnos discutindo neste momento é como atrair os proprietários para que façam a troca do velho pelo veículo mais novo”, declarou. Lembrou também do trabalho feito junto ao Sindipeças num esforço de ambas as entidades para elevar o nível de conteúdo local da indústria, além das tratativas com o MDIC sobre as negociações com outros países para as exportações.

Confira, em vídeo, o balanço dos resultados da indústria automotiva no 1º trimestre de 2016: