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Anfavea admite empate técnico nas vendas de 2013

Após anotar um novembro de queda de 8,3% contra outubro, sendo 8% a retração no segmento de leves (leia aqui e recuo de 11,8% em pesados aqui) e uma retração de 0,8% no acumulado de onze meses, considerando os dois segmentos, a Anfavea tem como um dos últimos deveres do ano refazer as projeções para 2013, o que, segundo seu presidente, Luiz Moan, não seguirá a previsão inicial, quando o setor apostava até julho que haveria crescimento entre 3,5% e 4,5% sobre o ano passado, e nem a atual, revisada em agosto, com altas entre 1% e 2%.
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Redação AB

05 dez 2013

4 minutos de leitura

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“Acredito que 2013 será pouco superior a 2012, seguramente não será como a projeção de 1% a 2%, mas posso dizer que a tendência é de ‘empate técnico’. Ainda assim, 2013 será ou um novo recorde ou o segundo melhor ano de vendas. Será um ano bom, mas não excelente”, disse Moan durante a apresentação do desempenho do setor na quinta-feira, 5, em São Paulo.

– Veja aqui os dados da Anfavea.

Com relação à retração dos licenciamentos de novembro, o presidente da Anfavea afirma que o baixo volume na comparação com outubro se deve ao menor número de dias úteis, devido aos três feriados do mês passado. Com base neste dado e na média diária de vendas, que subiu 1% sobre outubro, para 15,6 mil unidades por dia útil.

“Tivemos 29.189 unidades a menos vendidas no mês passado sobre outubro. Se novembro tivesse dois dias úteis a mais, daria empate”, explicou.

Para dezembro, Moan reforça que o desempenho do mês, independente da aplicação de IPI menor, é tradicionalmente bom em vendas, contudo, alerta que o índice que mede a confiança do consumidor vem caindo desde junho e está refletindo até agora nos resultados.

IPI

Moan voltou a afirmar que tem a palavra do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que haverá aumento do IPI a partir de 1º de janeiro de 2014, mas que o responsável pela pasta ainda não definiu de quanto será este aumento. O executivo admite que foi importante o efeito do IPI menor nos emplacamentos deste ano. De acordo com os dados da entidade, desde que o governo baixou a alíquota pela primeira vez, em 24 de maio de 2012, até 30 de novembro deste ano, foram vendidos 5,65 milhões de unidades; caso não houvesse benefício, as vendas não deveriam ultrapassar as 4,30 milhões de unidades.

Reforçou ainda que apesar do governo ter deixado de arrecadar R$ 4,9 bilhões com a isenção do imposto, seja total ou parcial, aplicada durante o período citado acima, o IPI menor proporcionou aumento da arrecadação dos outros impostos incidentes sobre veículos leves, como PIS, Cofins, ICMS e IPVA, que juntos geraram R$ 11,7 bilhões: descontando a perda com o IPI, o saldo ainda é positivo, em R$ 6,7 bilhões.

NO ANO QUE VIRÁ

As projeções para o ano seguinte, que em gestões anteriores, eram publicadas ainda em dezembro, desta vez ficará para janeiro, na próxima reunião agendada para o dia 7 daquele mês. A Anfavea prefere não arriscar nenhum palpite antes do encerramento de 2013. Segundo Moan, a entidade ainda defende junto ao governo o menor incremento possível para o IPI e informa que cada ponto porcentual de aumento na alíquota equivale a 1,1% de alta no preço dos veículos.

“Não podemos esquecer que a partir de janeiro teremos ainda a inserção em 100% dos veículos fabricados aqui dos equipamentos obrigatórios (ABS e airbags dianteiros), mas o preço final dependerá da política de cada montadora.”

Ele lembra que aumento de impostos sempre impactam nos preços dos veículos e critica rebatendo que o mercado não é artificial por se desenvolver com políticas de incentivo, mas “artificial é a carga tributária que incide sobre um veículo: do preço de um carro popular, por exemplo, 30% é imposto”.

O representante da indústria automotiva adianta apenas que para o mercado de 2014 há de se considerar dois cenários: o ano da Copa do Mundo no Brasil poderá acarretar em retração no mercado em geral, devido a dias úteis afetados pelos jogos, mas ao mesmo tempo, a própria Copa desencadeará a compra de mais veículos para incrementar a infraestrutura do País para receber o evento, como transporte público (ônibus) e táxis.

Sobre a conjuntura econômica para o ano vindouro, Moan diz acreditar em um crescimento do PIB acima dos 2,5% projetados para este ano segundo última estimativa do Boletim Focus, do Banco Central. Fatores como a melhora de liberação de crédito e a redução da inadimplência em veículos, que em outubro atingiu o menor índice em dois anos, para 5,5%, podem ajudar nos negócios do ano que vem.