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Anfavea crê que medidas de Trump contra China podem beneficiar Brasil

Política protecionista fomentaria busca chinesa por outros mercados fora dos EUA
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Vitor Matsubara

24 jan 2025

3 minutos de leitura

China com bandeira estilizada
China é um dos maiores exportadores de máquinas para os EUA

O presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite, afirmou que as políticas protecionistas anunciadas por Donald Trump contra a China podem beneficiar o Brasil.

O novo presidente dos Estados Unidos está prestes a elevar os impostos de importações de produtos vindos de vários países, sobretudo da China.

Marcio acredita que, neste caso, as empresas chinesas devem buscar outros mercados internacionais dispostos a comprar suas máquinas autopropulsadas.

“Esse mercado (EUA) é fortíssimo (para a China) e tem alta penetração de produtos chineses. Portanto, uma geração de barreiras vai criar um excesso de produtos que não vão entrar com a mesma força nos Estados Unidos. Esse excedente vai parar em países que investem em infraestrutura no agronegócio, como o Brasil”.

Embate Trump x China também pode atrapalhar o Brasil

Marcio afirma que o protecionismo de Trump contra a China pode ser uma faca de dois gumes para o Brasil.

O presidente da Anfavea crê que as exportações brasileiras podem aumentar caso a taxação sobre produtos vindos daqui não seja elevada como a aplicada às empresas chinesas. Porém, essa medida também pode roubar mercado de importantes mercados de exportação para nós.

“Sem dúvida favorecerá nossas exportações, mas, por outro lado, essa medida pode afetar nossas importações. Isso porque, a partir do momento em que a tarifa é elevada para proteger o mercado dos Estados Unidos contra os produtos chineses, é natural que haja um redirecionamento das exportações da China para outros mercados, tanto para o Brasil quanto para os que são atendidos pelo Brasil. Então é difícil de prever o resultado”, disse Marcio.

Anfavea prega ‘tranquilidade’ ante posições de Argentina e EUA

A Anfavea também revelou sua posição em relação às recentes declarações dos presidentes da Argentina e dos Estados Unidos.

Ambas foram classificadas como “questões muito recentes que precisam ser analisadas com tranquilidade e serenidade”, nas palavras de Marcio de Lima Leite.

O presidente argentino, Javier Milei, ameaçou deixar o Mercosul para concretizar um acordo comercial com os Estados Unidos.

“Brasil e Argentina têm uma união muito grande nas relações comerciais e é impensável não mantê-las. Há fábricas nos países, proximidade no agronegócio com empresas que investem no outro país. Então estamos trabalhando numa intensificação cada vez maior com a Argentina porque, se um país cresce, conseguimos andar juntos”, disse Marcio.

Quanto às eventuais medidas comerciais tomadas por Trump, a Anfavea está em compasso de espera.

“Hoje trabalhamos com dois cenários: um deles diz respeito à participação dos produtos (da indústria de máquinas agrícolas) no mercado norte-americano, que é o principal para nós e temos um histórico muito bom com o governo. Por outro lado, quando falamos em aumento de tarifa, precisamos analisar o que isso vai impactar em excesso de estoques nos países que exportam para os Estados Unidos”, assegurou.