
-Confira aqui as estatísticas completas da Anfavea.
Ao contrário da Fenabrave, federação dos distribuidores, que apresentou novas previsões para o ano na terça-feira, 3 (leia aqui), a organização não refez as expectativas mas também não reafirmou as apostas que já foram apresentadas. Desde o início do ano, Belini mantinha a previsão de que o mercado de veículos cresceria de 4% a 5% sobre o ano passado, para até 3,81 milhões de unidades. Com a demanda em queda até maio, as metas passaram a ficar cada vez mais fora da realidade.
A entidade, no entanto, mantém a expectativa de um resultado positivo, principalmente depois do salto anotado em junho. Apenas prefere, por enquanto, não divulgar números. “Poderemos ter surpresas agradáveis. Vamos aguardar o resultado deste mês”, determina. Um dos efeitos da redução da alíquota do IPI foi a queda dos estoques, que estavam em níveis preocupantes. O volume armazenado caiu de 43 dias em maio, com 409,7 mil unidades, para 29 dias no mês passado, com 342 mil veículos nos pátios das fábricas e na rede de concessionárias.
INVERSÃO DA CURVA
As medidas de estímulo anunciadas pelo governo, com o desconto na tributação e a redução do custo do crédito, foram capazes de reverter a queda do mercado de veículos, que se aprofundava a cada mês. O ano começou com alta de quase 9,6% na comparação com janeiro de 2011. A partir de fevereiro só foram obtidos resultados negativos no acumulado do ano.
Entre janeiro e maio houve queda de 4,8% sobre idêntico intervalo do ano anterior. Em junho a curva começou a apontar para cima e a retração foi menor, de 1,2%. Segundo a Anfavea, houve salto de 36% na média diária de vendas. “Até maio a média era 13 mil emplacamentos por dia. Esse número avançou para 17 mil no mês passado. Com isso, quase empatamos com o resultado do primeiro semestre de 2011”, conta Belini.
O executivo acredita que será possível manter o patamar elevado nos próximos meses mesmo que a redução do IPI não seja estendida até o fim do ano. Para ele, o consumidor continuará indo às concessionárias estimulado pelo desconto. A partir de 31 de agosto, quando termina o incentivo, a aceleração da economia deve manter os negócios aquecidos.
“O cenário é favorável. O volume de crédito cresceu e a confiança do consumidor está em alta”, avalia. A inadimplência, que tem travado a aprovação de novos financiamentos, deve parar de avançar, segundo a entidade. “Os atrasos de menos de 90 dias estão diminuindo.”

1º SEMESTRE
As vendas totais, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, somaram 353,2 mil unidades em junho, com crescimento de 22,9% no comparativo mensal e de 16,1% no anual. O resultado é recorde para o mês e também o segundo melhor da história. No primeiro semestre do ano foram licenciados 1,71 milhão de veículos novos, com retração de 1,2%.
O segmento de caminhões puxou a queda, com tombo de 15,1% nos licenciamentos, para 70,4 mil unidades no semestre. A baixa é reflexo do início do Proconve P7, nova legislação de emissões que tornou os veículos mais caros. As vendas de ônibus também sofreram retração expressiva, de 9,1% para 14,7 mil chassis.
A redução foi menor no segmento de leves, de 0,4%, para 1,63 milhão de emplacamentos no semestre. Houve diminuição de 0,3% nas vendas de automóveis, para 1,27 milhão de unidades, e de 2,9% nas de comerciais leves, para 354 mil veículos.
Os resultados da primeira metade do ano evidenciam ainda que as medidas adotadas pelo governo para reduzir a participação dos carros importados no mercado foram efetivas. A presença dos veículos trazidos do exterior caiu para 20,2% em junho. A redução foi motivada pelo adicional de 30 pontos no IPI dos produtos fabricados fora do Mercosul e do México e a renegociação do acordo com o México.
Esse porcentual alcançou 25,3% em janeiro deste ano. Desde então, a participação vem caindo progressivamente à medida que as empresas que vendem carros importados aumentam os preços dos produtos, pressionadas pelo alta da tributação.
Assista à entrevista exclusiva com Cledorvino Belini, presidente da Anfavea:
