
– Veja aqui os dados da Anfavea
Se a estimativa de Moan estiver certa, este ano deve terminar com 3,4 milhões de veículos leves e pesados vendidos no País. Como 2015 terá 247 dias úteis, caso seja mantido o ritmo de emplacamentos de 15 mil unidades por dia útil, seriam 3,7 milhões no ano, volume parecido com o de 2013 e 8,8% acima do de 2014. Se a média anual for a verificada neste segundo semestre, perto de 14 mil/dia, o que parece mais factível, o crescimento seria de modesto 1,7%, com 3,5 milhões. Qualquer média abaixo de 13,7 mil implicaria em nova queda do mercado.
“Nosso maior desafio será manter em 2015 o mesmo nível de vendas do segundo semestre de 2014”, destacou Moan. Para isso, ele aposta que a provável recomposição do IPI em quatro pontos porcentuais, que deverá provocar aumento médio de preços de 4,5%, seja compensada pela esperada maior facilidade do crédito, após a aprovação da nova legislação, há cerca de um mês, que permite ao agente financeiro retomar mais rapidamente, sem depender de processos judiciais, os carros de clientes inadimplentes. “Ainda é cedo para dizer, mas já vimos no início deste mês alguns bancos alterando os contratos de acordo com a nova lei, o que significa que estão mais propensos a conceder crédito”, avalia.
Com essa variável sobre a mesa, os dirigentes da Anfavea preferem esperar janeiro chegar para apresentar suas projeções para 2015. “Vamos primeiro ver como se comporta o mercado este mês, com mais renda e crédito disponível, aí poderemos fazer os cálculos”, diz Moan.
SINAIS POSITIVOS
O presidente da Anfavea lembra que já acontece uma retomada do crédito para o setor, conforme apontam os dados do Banco Central. “O volume de financiamentos concedidos em outubro já é 13,9% maior do que o de agosto e 63% dos veículos vendidos em outubro foram financiados, contra 61,6% em agosto”, destaca.
Outro sinal positivo visto por Moan vem do mercado de usados. Ele cita os dados da Fenauto, que reúne os revendedores de veículos, que de janeiro a novembro apurou negociação de 9,5 milhões de veículos de segunda-mão, número 6,9% maior do que o verificado no mesmo período de 2013.
“Isso mostra que o desejo de aquisição de veículos permanece crescente no País. Fazemos parte de uma mesma cadeia e as vendas de usados em alta vão acabar puxando também a de novos, pois o cheque de entrada na compra de um veículo zero-quilômetro costuma ser o usado”, avalia Moan.
NOVEMBRO
Conforme já apontado logo no início do mês pela associação dos concessionários, a Fenabrave (leia aqui), o volume total de emplacamentos de veículos novos em novembro, 294,6 mil, ficou 4% abaixo de outubro e foi 2,7% inferior ao verificado no mesmo mês de 2013. “Tivemos menor número de dias úteis, sem contar o Dia da Consciência Negra (feriado nos maiores mercados do País como São Paulo e Rio de Janeiro) em uma quinta-feira com uma ponte na sexta. Isso prejudicou as vendas totais, mas o que importa é que superamos com larga margem as 14 mil unidades emplacadas por dia, chegamos a 14.734”, justificou Moan.
De janeiro a novembro os 3,13 milhões de veículos vendidos significam queda de 8,4% sobre o mesmo período de 2013. Mas Moan também ameniza o número negativo com a comparação do primeiro contra o segundo semestre. “O fundo do poço foi no fim de junho e desde então o mercado está se recuperando. No segundo semestre até agora tivemos crescimento de 5,7% sobre a primeira metade do ano. De janeiro a junho a média mensal foi de 277,2 mil unidades vendidas, enquanto de julho a novembro essa média subiu para 293 mil por mês”, comemora.
Contudo, os estoques continuam em níveis preocupantes e cresceram em quase 30 mil unidades no mês passado. Enquanto em outubro os veículos à espera de compradores nos pátios de montadoras e concessionárias somavam 413 mil, o equivalente a 40 dias de vendas, em novembro esse número passou a 441 mil, ou 42 dias.
Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea, para a ABTV: