
Durante a apresentação dos números, o presidente da entidade, Cledorvino Belini, considerou o resultado “relativamente forte e expressivo” e reconheceu que o IPI menor foi o responsável pelo desempenho positivo do mercado nos últimos seis meses. O executivo mostrou a evolução das vendas do ano, que se dividiu em dois momentos: retração entre janeiro e maio e gradativa recuperação a partir de junho, quando passou a valer a redução da alíquota.

Belini mostra curva ascendente de vendas após concessão de IPI menor pelo governo em maio (foto: Mário Curcio)
“Esse é um ano atípico, um ano que começou muito mal, escorregando, mas que, felizmente, agora apresenta bom resultado”, disse Belini.
Segundo os dados, a média diária de vendas no período junho-maio (com IPI menor) subiu 27% contra a média dos meses entre janeiro e maio (sem IPI menor), de 13,2 mil veículos para 15,8 mil por dia útil.
Belini também mostrou que, apesar do corte do IPI, não houve perdas aos cofres públicos, pois a média diária da geração global de impostos das vendas de automóveis no País aumentou R$ 6,2 milhões de junho a novembro: embora tenha ocorrido queda de R$ 19,5 milhões na arrecadação do IPI neste período, em PIS/Cofins o setor registrou incremento de R$ 11,8 milhões, de R$ 11,1 milhões no ICMS e de R$ 2,8 milhões no IPVA.
No comparativo mensal, as vendas de novembro foram 8,7% menores que as de outubro: de 341,6 mil para 311,8 mil veículos. Belini argumenta que a queda é devida ao número menor de dias úteis – outubro teve 22 dias úteis, dois a mais do que novembro. “Se olharmos a média diária, outubro e novembro tiveram o mesmo desempenho, com 15,5 mil unidades por dia útil nos dois meses.”
Contra novembro de 2011, as vendas do mês passado recuaram 3%.
SEGMENTOS
Com o benefício fiscal, o segmento de leves foi o que alavancou o mercado: de janeiro a novembro, as vendas subiram 6,3% sobre iguais meses de 2011, para 3,29 milhões de unidades, entre automóveis e comerciais leves. Na mesma base de comparação, os veículos comerciais, que não têm influência do IPI menor, registraram queda de 19,5% para caminhões (126,5 mil) e de 16,6% para ônibus (25,9 mil).
HORIZONTE
Após a regulamentação do novo regime automotivo, o Inovar-Auto, em vigor a partir de 1º de janeiro de 2013, todos os veículos vendidos no Brasil terão sobretaxa de 30 pontos porcentuais sobre o IPI, exceto para aqueles modelos cujas montadoras já estiverem habilitadas para o novo regime. Contudo, Belini explica que sobre os 30 pontos adicionais nada pode ser feito devido à lei, mas o governo pode alterar, se quiser, a alíquota normal, de 7% para automóveis de até 1.000 cc, de 11% a 13% para veículos com mais de 1.000 cc até 2.000 cc, e de 4% para comerciais leves.
HISTÓRICO
Com retração das vendas entre janeiro e maio e curva apontando tendência de queda, as montadoras sinalizaram sua dificuldade ao governo, que de prontidão concedeu a redução da taxa do IPI, que no caso dos veículos 1.0 chegou a zero (leia aqui). A redução valeria até 31 de agosto, contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no fim de agosto a prorrogação da alíquota menor até 31 de outubro, dando mais fôlego ao setor (leia aqui).
Por fim, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, a presidente Dilma Rousseff anunciou a segunda prorrogação, desta vez, até 31 de dezembro (leia aqui).