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Anfavea piora estimativas de produção de pesados

Projeção é de que sejam fabricados 127 mil caminhões e ônibus, queda de 34,2%. Expectativa anterior era de recuo de 20,4%
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Ana Paula Machado

06 out 2023

2 minutos de leitura

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Mesmo com a melhora na percepção de demanda, a produção de veículos pesados deve despencar este ano. Segundo nova estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as montadoras instaladas no país devem fabricar 127 mil caminhões e ônibus, uma queda de 34,2% em relação a 2022. Na perspectiva anterior, a redução era de 20,4%. 

A piora nas estimativas na produção no segmento de pesados se deve queda “brusca” nas exportações este ano. Segundo a Anfavea, os embarques devem somar 23 mil unidades, um recuo de 24,8%. Na projeção anterior, a baixa nas exportações era de 8,7%. 


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Já os licenciamentos devem alcançar 128 mil unidades, declínio de 11,1%, a mesma projeção do início do ano. 

Olhando para o mercado atual, que balizou as novas estimativas, até setembro, a produção de caminhões, segundo a Anfavea, alcançou 71,8 mil unidades ante 116,7 mil, uma queda de 38,5%. Em ônibus, as montadoras fabricaram 15,35 mil veículos, recuo de 35,5%. 

Somente em setembro, as montadoras produziram 8,2 mil caminhões e 1,86 mil ônibus, recuo de 45% e 50,9%, respectivamente. 

Mudança de tecnologia afeta segmento

“Essa queda no segmento é reflexo da mudança das regras do Proconve. Ocorreu uma antecipação das vendas no ano passado e a produção no último trimestre bem forte. Agora, com agosto deste ano, vemos um ajuste da nova demanda de mercado”, disse o presidente da Anfavea, Márcio Leite. 

Até setembro foram vendidos 79 mil caminhões, queda de 15,2% no comparativo com 2022. Já no mês passado, os licenciamentos somaram 8,8 mil, recuo de 23,7%. 

Já em ônibus, os emplacamentos alcançaram 15,78 mil unidades, uma alta de 32,6%, no acumulado do ano. Em setembro, as vendas foram de 1,5 mil veículos, queda de 8,4%. 

“Em setembro, vemos quase um flat no comportamento nos licenciamentos de ônibus, No entanto, no acumulado observamos um crescimento significativo de 32%, em função do programa Caminhos da Escola e do baixo nível dos anos anteriores”, ressaltou Leite.

MP frustra mercado

O dirigente afirmou que a Medida Provisória (MP) que concedia descontos nas vendas de caminhões e ônibus não foi como o esperado. Segundo ele, dos R$ 1 bilhão disponíveis, foram usados cerca de R$ 320 milhões, sendo R$ 130 milhões em caminhões e R$ 190 milhões em ônibus.

“Foi ruim o setor ter perdido boa parte desses recursos, pois, poderia ter incrementado a indústria. O segmento, principalmente de caminhões, está com uma performance muito a baixo do realizado em 2022”, disse Leite.