Na segunda-feira, 2, Butori declarou que o Inovar-Auto não ajuda a indústria nacional de autopeças e que o esperado programa Inovar-Autopeças não trazia novidades, nem contempla as reais necessidades do setor. “Com as medidas do Inovar-Auto as montadoras estão protegidas, deixamos de importar carros para importar peças”, disse o dirigente na ocasião. Na quinta-feira, 5, Moan aproveitou a reunião mensal da Anfavea com a imprensa para rebater a crítica: “Não concordo com a análise de que nada está sendo feito pelo setor de autopeças. Estamos trabalhando pelo fortalecimento dos fornecedores, porque sem eles não há razão para existir aqui uma indústria automotiva, bastaria importar o veículo inteiro”, afirmou.
Moan defende que o Sindipeças faz uma avaliação parcial do Inovar-Auto, pois o programa teria trazido proteção aos fornecedores também com a queda das importações de veículos, que chegaram ao pico de 27% das vendas internas em dezembro de 2011 e caíram para 18,9% em agosto passado. “Para cada carro que deixou de ser importado foi produzido um aqui com peças nacionais”, disse. Moan também destacou que o Inovar-Auto obriga o aumento das compras de componentes nacionais para abater a sobretaxação de IPI. “Por isso todas as empresas se lançaram na nacionalização de produtos.”
O presidente da Anfavea tenta devolver ao Sindipeças a responsabilidade pelo aumento das importações de componentes nos últimos anos – o déficit comercial do setor deve ultrapassar o recorde de US$ 10 bilhões em 2013. “Muitas coisas não são feitas aqui. Vou dar um exemplo: o Inovar-Auto tem metas de eficiência energética que vão exigir a adoção de itens como pneus verdes e direção elétrica. Mas quem pode fornecer isso hoje no Brasil?”
Representantes da Anfavea negociam com o governo algo bem diferente do que quer o Sindipeças: uma ampla lista de componentes sem fabricação nacional que teriam o imposto de importação reduzido a 2% – a alíquota normal chega a 18%. Butori disse que concorda, desde que “realmente não exista produção nacional e que o porcentual seja elevado assim que alguém começar a produzir aqui aquele item”.
Moan adverte que não há espaço para aumento de preços no mercado brasileiro e, portanto, os custos também devem ser contidos. Para atender as metas do Inovar-Auto, contudo, a indústria será obrigada a adotar mais tecnologias e equipamentos nos seus produtos, pressionando para cima os custos. “Teremos de compensar isso com ganhos de produtividade”, diz, apontando os altos desperdícios em transporte e impostos não-compensáveis.