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Anfavea segura projeção pessimista

Embora os números indiquem claramente que este será um ano de queda nas vendas de veículos, a Anfavea suaviza a situação e prefere manter a expectativa de que o mercado atinja crescimento de 1,1% contra 2013, para algo como 3,8 milhões de unidades, números que serão defendidos pelo menos até o fim deste primeiro semestre. Ao apresentar o desempenho do setor durante maio e o acumulado do ano, o presidente da entidade, Luiz Moan, postergou novas projeções. “Previsões: não dá para fazer nenhuma. Se o cenário se ajustar, devemos ter uma revisão em julho”, disse Moan durante encontro com a imprensa na quinta-feira, 5, em São Paulo.
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Redação AB

05 jun 2014

4 minutos de leitura

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– Veja aqui as estatísticas da Anfavea.

Os números apontam que este cenário previsto pela Anfavea em janeiro não se concretizará e que será um ano fora da curva para o setor: com vendas acumuladas de 1,39 milhão de unidades entre janeiro e maio, o que representou uma queda de 5,5% sobre mesmo período do ano passado, seria necessário emplacar mais 2,41 milhões de veículos para se chegar ao crescimento de 1,1% previsto pela associação. Isto significa que para cada um dos sete meses restantes para o fim do ano, devem ser vendidas em média 344 mil unidades/mês, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Este volume foi alcançado apenas cinco vezes nos últimos dois anos: uma em dezembro de 2013, quando houve represamento das vendas devido ao aumento do IPI marcado para o mês seguinte, e as outras quatro vezes todas em 2012, ano recorde para a indústria automobilística, quando foram licenciados 3,8 milhões de veículos novos.

Segundo Moan, novas projeções ainda não foram feitas devido a alguns fatores em curso, como o desenrolar do acordo entre Brasil e Argentina, que ditará o rumo das exportações, atividade que intimamente influencia a produção nacional. Apesar disso, o executivo é vencido pela lógica e admite o cenário negativo: “No geral, é um viés de baixa [das novas projeções]”.

Considerando o desempenho de maio, os licenciamentos ficaram estáveis sobre abril, com variação zero, ao somar 293,3 mil unidades. Diante do resultado nem negativo, nem positivo, Moan comentou: “Neste caso, maio apresentou um equilíbrio com relação a abril, rompendo o ciclo de queda constante”.

Já contra igual mês do ano passado, houve retração de 7,2%, puxado pelo segmento leve. Enquanto as vendas de automóveis recuaram 1,7% na comparação mensal contra abril e 10,9% no comparativo anual, a queda de comerciais leves foi menos acentuada, de 2,7% e 4%, respectivamente.

Segundo o presidente da Anfavea, alguns fatores motivam a queda das vendas do setor, como os baixos índices de confiança [da indústria e do consumidor] além do “mau humor do mercado e seletividade maior do crédito”, pontuou.

Um reflexo da baixa liberação de crédito por parte do sistema financeiro – o que inclui os bancos de montadoras – está no volume de licenciamento de veículos com motorização 1.0, conhecidos como veículos de entrada e alvo daqueles consumidores que mais demandam crédito para adquirir o primeiro veículo: suas vendas recuaram 6,3% entre abril e maio, e 12,6% no acumulado do ano, uma queda maior que o dobro da média do mercado no mesmo período.

O QUE ESPERAR

Para Moan, ainda não é possível estimar como será o desempenho do mercado neste mês. “Devemos considerar que algumas cidades terão feriado com os jogos da Copa, mas em outros lugares o feriado será só de meio período, enquanto em outros será ponto facultativo. Teremos que esperar para verificar o impacto do mundial nas vendas.”

Por outro lado, pode ocorrer – ou não – um aumento do movimento nas concessionárias, considerando que este será o último mês do IPI menor, como aconteceu várias vezes nos últimos anos. Contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu esta semana que avaliará a situação e decidirá na véspera de 1º de julho se manterá o aumento total ou gradual do imposto sobre veículos (leia aqui).

Já o presidente da Anfavea continua a sustentar que em suas conversas oficiais com o ministro recebeu a indicação de que o aumento seria adotado de forma integral a partir de 1º de julho. Ele acrescenta informações que dão a ideia do que se pode esperar para os próximos meses caso a alta do imposto aconteça integralmente: para cada ponto porcentual de aumento no IPI, há impacto de 1,1% sobre o preço final do veículo; enquanto isso, para cada 1% de aumento no preço do carro, há uma estimativa de 1,9% de queda na demanda. Se o IPI voltar na sua totalidade – de 3% para 7% no caso de veículos 1.0 e de 7% para 11% no caso dos equipados com motores flex 1.1 a 2.0 -, serão adicionados 4 pontos porcentuais na alíquota, o que causaria 4% de aumento no preço, resultando em uma queda de demanda estimada em 8%.

Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea: