
Por sua vez, a Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, renovou o mesmo acordo que já mantinha com o MDA também para dois anos. A assinatura ocorreu na sede na entidade, em São Paulo, com a presença de seu presidente, Carlos Pastoriza, do presidente da Anfir, Alcides Braga, da vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade, do ministro do MDA, Patrus Ananias, e de outros representantes dos associados às entidades presentes.
Os implementos, bem como as demais máquinas e equipamentos utilizados para fim agrícola, poderão ser financiados pelos pequenos agricultores com a linha de crédito disponível pelo BNDES com juros que variam de 2,5% ao ano para compras de até R$ 10 mil; 4,5% a.a. para uma ou mais operações com valor entre R$ 10 mil e R$ 30 mil; e de 5,5% a.a. para operações acima de R$ 30 mil.
“O setor de implementos até então tinha deficiência em acessar este tipo de financiamento. É uma iniciativa que vimos conversando com o MDA desde 2013 e que agora se apresenta como um alento para a nossa indústria de pequenos produtores”, comemora Alcides Braga, presidente da Anfir.
O executivo conta que os maiores beneficiados pela medida serão os produtores de pequeno porte: “Como somos uma indústria vocacionada, que fabrica o que o cliente precisa, este novo acordo será um fator importante para este tipo de atividade, que poderá apresentar melhor seus produtos, como tanques, reboques menores, basculantes, e outros implementos leves sobre chassis, que agora terão condições facilitadas de financiamento com o objetivo de melhorar a performance da agricultura familiar”.
Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, dos seus 380 associados, 90% são de fabricantes de pequeno porte e que têm o Mais Alimentos como o principal destino de seus produtos. “Estimamos que 23% das vendas totais de máquinas são destinadas ao Mais Alimentos”, afirma.
“Em sete anos de Mais Alimentos, mais de meio milhão de micro e pequenos agricultores se beneficiaram tomando os financiamentos subsidiados pelo programa. 20% do faturamento agregado da agricultura vem do Mais Alimentos”, disse o ministro do MDA. Ananias acrescenta que neste ano, o governo federal destinou R$ 28,9 bilhões para a safra 2015/2016, dos quais R$ 26 bilhões para as linhas de financiamento do Pronaf, 20% a mais do que o Plano Safra anterior.
Atualmente, a agricultura familiar conta com 5,2 milhões de famílias em atividade, responsáveis por expressivos 70% da produção dos alimentos consumidos no País.
TOCANDO EM FRENTE
O presidente da Anfir afirma que os 154 associados e os 1.250 afiliados à Anfir estão presentes em mais de 20% dos municípios brasileiros. Contudo, o acordo atual com o MDA não é suficiente para reverter a queda de 50% do mercado total de implementos estimada pela entidade para este ano, especialmente puxado pelo segmento de pesados (reboques e semirreboques), que acompanha a descida sem freio do desempenho do mercado de caminhões pesados.
“Conseguimos trabalhar com saúde em um mercado de 55 mil unidades [de implementos pesados], mas devemos fechar este ano com algo em torno dos 30 mil”, revela.
Por outro lado, Braga reforçou em seu discurso durante a assinatura do acordo que “nada melhor do que uma boa crise, para aprender e reajustar as operações para atravessar essa correnteza que estamos atravessando”.
O executivo lembra que o plano de concessões em importantes áreas de infraestrutura anunciado em junho pelo governo, com investimento de R$ 198,4 bilhões em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, deve gerar ao longo do próximo ano um novo fôlego para a tão esperada retomada da economia. Outros fatores como um novo recorde de safra de grãos e as exportações, que passam por momento favorável devido ao fator cambial, podem afetar positivamente o setor de implementos.
“São motivos macroeconômicos que podem fazer a roda voltar a girar. Além desses elementos, será importante para o setor retomar a pauta de renovação de frota”, disse.
Para Braga, as exportações devem ocorrer de forma mais intensa a partir da parceria com a Apex, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que acolheu o pedido da Anfir para a criação de um programa de capacitação para empresas que querem aumentar sua base de atuação. Historicamente, as exportações de implementos pesados tem representação de 10% dos negócios do setor.
“Com este momento de baixo desempenho econômico o qual estamos passando fica claro que não podemos depender somente do mercado interno. Há uma convicção de que exportar é preciso e esta é uma decisão que não retrocederá”, concluiu.