
A produção da linha pesada, que inclui reboques e semirreboques, terá retração maior, de 14,4%, para 50,8 mil equipamentos. A linha leve, de carrocerias sobre chassis, poderá diminuir 10,8%, para 117,1 mil unidades. Ainda assim, o ano deverá ser o terceiro melhor já registrado pelo setor.
O dirigente da organização aponta que, mesmo com os incentivos anunciados pelo governo nos últimos meses, será difícil recuperar as perdas da primeira metade do ano. Dessa forma, a retomada dos negócios prevista inicialmente para junho, deve ficar para entre agosto e setembro. “Já perdemos este mês”, avalia.
Braga afirma que as empresa ainda enfrentam dificuldades para acessar as linhas de crédito com as novas condições do BNDES/Finame, com taxa de 5,5% ao ano, prazo de até 120 meses e possibilidade de financiar 100% do valor do bem. Na opinião dele, as condições são ótimas, mas ainda há barreiras para obter nos bancos privados. “Esperamos que essa situação melhore logo.”
A entidade estima que o setor tenha hoje cerca de 35% de capacidade ociosa nas fábricas. Com isso, mesmo com os incentivos às vendas, as empresas poderão ter dificuldade para atender a demanda dos próximos meses. “Ninguém cortou empregos ou reduziu as estruturas. Muitas companhias, no entanto, reduziram encomendas de componentes. Algo que pode levar tempo para retomar”, analisa.
A diminuição das compras de autopeças pode ser um problema caso os pedidos cresçam rapidamente, algo esperado após o anúncio do PAC Equipamentos, programa de compras governamentais com investimento total de R$ 8,4 bilhões que serão aplicados em veículos e equipamentos. Por enquanto, o executivo aponta que o setor não sentiu os efeitos do pacote, mas prevê aumento dos pedidos até o fim do ano.
A Anfir reconhece que este será um ano de queda, mas enxer como um caminho natural a retomada do crescimento a partir de 2013. “Não poderemos mais adiar. Teremos uma reação forçada das encomendas com a proximidade de eventos como as Olimpíadas e a Copa”, antecipa.
1º SEMESTRE
Na primeira metade do ano a entidade contabilizou retração de 9,3% nos emplacamentos do setor, para 82,4 mil unidades. As vendas da linha leve ficaram 7,8% menor na comparação com o ano passado, com 18,9 carrocerias sobre chassis. Já o volume da linha pesada diminuiu 13,3%, para 25,4 mil equipamentos. A queda, no entanto, foi sensivelmente menor do que a registrada no setor de caminhões, que viu os negócios encolherem 15,1%, para 70,4 mil veículos.
Braga explica que os fabricantes de implementos rodoviários não foram impactados tão fortemente pela mudança da legislação de emissões de Euro 3 para Euro 5 (ou Proconve P7). “Muitas vezes também o cliente compra mais de um implemento para o mesmo caminhão”, explica.
Assista à entrevista exclusiva com Alcides Braga, presidente da Anfir:
