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centro de armazenamento

Aos 90, GM investe em produtividade

No dia em que completou 90 anos de atividades no Brasil (leia aqui), a General Motors cumpriu mais uma fase do intenso processo de modernização de sua mais antiga fábrica na América do Sul. A unidade da GM em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, em funcionamento desde 1930, ganhou um moderno centro de armazenagem e sequenciamento de peças, nomeado Masc, que recebeu investimento de R$ 100 milhões – a parte final do programa anunciado pela empresa em 2009. O Masc dobra a capacidade de armazenamento de partes no local: pode movimentar diariamente até 1,4 milhão de 4 mil tipos de componentes para abastecer as linhas de montagem dos cinco modelos (Cruze sedã e hatch, Spin, Cobalt e Montana) feitos lá atualmente, com sensível elevação da produtividade da planta.
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pedro

26 jan 2015

4 minutos de leitura

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Com a operação do novo centro, a GM calcula que o fluxo de recebimento de mercadorias será 40% mais rápido, com redução do trânsito de caminhões de fornecedores na região da ordem de 20%. “Aqui funciona o cérebro da operação”, definiu Santiado Chamorro, presidente da GM Brasil. “O novo centro aumenta nossa capacidade de armazenamento de peças ao mesmo tempo em que o sistema de gerenciamento logístico aproveita melhor os espaços, evitando custos com quantidades (excedentes de material) e movimentação (desnecessária de componentes)”, explicou. Segundo Chamorro, de tão eficiente, o processo logístico agora adotado em São Caetano servirá de modelo para ser replicado em outras unidades da companhia no mundo inteiro.

A cadência de produção da fábrica é de cerca de um carro por minuto, bastante acelerada para uma unidade tão antiga e encravada em meio ao centro urbano de São Caetano. Ainda assim, a GM garante que continuará a investir pesadamente para elevar a produtividade da planta. “Do investimento de R$ 6,5 bilhões que anunciamos no ano passado, mais da metade virá para modernizar e ampliar as unidades no Estado e São Paulo e boa parte será para São Caetano”, revelou Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul.

MAIS COMPLEXIDADE

Devido aos constantes desentendimentos com o sindicato dos metalúrgicos na região de São José dos Campos, onde fica o maior complexo industrial da empresa no País, a GM decidiu esvaziar a unidade do Vale do Paraíba e redirecionar para a antiga planta de São Caetano a maior parte dos investimentos em novas linhas de produtos, fazendo a capacidade anual subir para 300 mil unidades em três turnos. Como resultado dessa estratégia, entre 2011 e 2012 a fábrica do ABC, que até então fazia apenas a picape Montana e o sedã de entrada Classic em sua única linha de produção, teve de se reestruturar em prazo recorde para fabricar mais quatro novos carros: o Cruze nas versões sedã e hatch (Sport 6), o sedã Cobalt, e ainda a minivan Spin, com versões para cinco e sete passageiros.

A chegada de tantos modelos em curto período sobrecarregou os processos, elevando substancialmente os volumes e diversidade de componentes usados nas linhas de montagem, mais da metade deles importada, pois também não houve tempo suficiente para desenvolver fornecedores. “Aumentou bastante a complexidade da operação, com a circulação diária de mais de 1 milhão de componentes dentro da fábrica. Estamos trabalhando para ajustar essas questões e este centro de armazenamento vai ajudar bastante”, diz Sonia Campos, diretora da unidade. Ela acrescenta ainda que está em curso a nacionalização de peças. “Com as regras do Inovar-Auto e o aumento do dólar isso tornou-se uma prioridade.”

VELHO QUE VIROU NOVO

O Masc inaugurado oficialmente na segunda-feira, 26, simboliza a renovação orgânica da GM em São Caetano durante 85 anos de operação no mesmo local. O novo prédio de 30 mil metros quadrados, equivalentes a quatro campos de futebol, e 11 metros de altura, algo como um prédio de cinco andares, foi construído em dois anos no lugar antes ocupado por alas da década de 30. Em uma espécie de autofagia, quase 100% do entulho da demolição foi reciclado e reaproveitado na própria obra, principalmente no aterro da área.

O processo de demolição sustentável teve a orientação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Segundo a GM, o método inovador evitou a circulação de 2,5 mil caminhões na região e o descarte do entulho em aterros, minimizando o impacto ambiental da obra.

Todo o prédio do Masc foi pensado para economizar custos, a começar pela conta de luz, com redução de 60% no consumo em relação a instalações convencionais. Colabora para isso o grande número de telhas translúcidas com tratamento térmico que impede a passagem de raios UV. Essa solução substitui em grande medida a iluminação artificial sem aumentar a temperatura no interior. Todo o ambiente é refrescado naturalmente, sem uso de ventiladores: a partir de 5 km/h o vento atravessa a área e renova todo o ar. Os corredores são equipados com sensores de presença para acender as lâmpadas somente quando necessário.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Santiago Chamorro a ABTV