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Apenas vontade política salvará Brasil das crises

Marcos Antonio Teixeira: instabilidade política alimentada pelo governo freia vacinação e recuperação econômica
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Redação AB

04 mar 2021

3 minutos de leitura

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“Este é um momento gravíssimo, porque há uma crise superior às duas crises que nos afligiam antes (econômica e política), que é a sanitária. De sua superação depende encontrar o rumo para enfrentar a crise econômica e de pacificar as relações políticas.” Assim o professor e analista político Marco Antonio Teixeira abriu seus comentários sobre “O Horizonte Político para 2021”, tema de sua participação no AB Plan 21 Near, evento on-line realizado por Automotive Business na quarta-feira, 3.
Doutor em ciências sociais e professor e pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas (FGVceapg), Teixeira aponta que a solução para superar a crise continuada é a vacinação rápida, o que só vai acontecer com decisões políticas acertadas. “Se nós não pactuarmos que o nosso principal problema hoje é o vírus, e não envolvermos o governo federal e a figura do presidente comprometidos nesse processo, não chegaremos a lugar nenhum. A classe política precisa superar suas diferenças e lembrar que enfrentamento de pandemia se dá a partir de diagnóstico, a partir de vacina”, alertou. Para a superação do difícil momento, talvez o país precise de um milagre, caso dependa só das decisões do presidente Jair Bolsonaro. “É absolutamente trágico que em um momento como esse a principal liderança política do País saia por aí sem máscara, promovendo aglomerações, fazendo reuniões públicas com pessoas sem máscaras como se nada tivesse acontecendo. O Brasil ultrapassou os 250 mil mortos, um para cada milhão de habitantes, e não tivemos nenhum pronunciamento oficial, nenhuma ação coordenada de chamar a atenção para o fato”, lamentou Marco Antonio Teixeira.

REFORMAS PARALISADAS

Enquanto isso, há uma agenda de reformas paralisadas no Congresso para serem votadas, cruciais para tirar o País do atoleiro. Mas entraves prejudicam a agilização da pauta. Mais uma vez, tem participação do governo nisso. “A vitória nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados não necessariamente pacifica as relações futuras. Porque boa parte delas depende da coordenação política do governo, que parece não existir”, afirma Teixeira.
“Além disso, o projeto de compra de vacinas e veto do presidente a projetos aprovados no Senado criaram mal-estar, além do pronunciamento de Bolsonaro com relação aos governadores dos estados abrir outra crise política”, destacou.
Sem a pressão popular, pois a “voz das ruas” foi calada pela pandemia, o pesquisador afirma que hoje os políticos sentem-se pressionados apenas pelo desempenho em pesquisas de opinião. “A classe política só se mobiliza quando percebe que está havendo dano à sua imagem. O presidente da República se mexe quando sai de um grupo de aprovação de bom/ótimo de 44% para 29%”, apontou.
Mas há uma esperança para o estado de coisas não piorar ainda mais, segundo Teixeira: a pressão do setor privado. “Para melhorar a perspectiva econômica, é crucial que o setor privado se mobilize quando o governo mexe em algum ponto que afeta o seu segmento econômico, quando apresenta um projeto de lei que possa alterar a regulação da atividade econômica. Nesse momento ele tem um papel muito importante, porque essa crise sanitária pode nos levar a morrer todos abraçados, se cada um não se mobilizar ou desenvolver algum tipo de pressão”, finalizou.