
A Stellantis negou a possibilidade de vender a Maserati. Mesmo diante dos resultados decepcionantes e do prejuízo registrado pela marca no primeiro semestre.
As vendas globais da marca italiana caíram mais de 50%, com€ 6.500 unidades nos seis primeiros meses do ano. Ou seja, bem menos do que os 15.300 veículos comercializados no mesmo período de 2022.
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Houve um prejuízo operacional de € 82 milhões no semestre e margem operacional de -13%, contrastando com o lucro de € 121 milhões e a margem positiva de 9,2% anos nos seis primeiros meses do ano retrasado.
“A primeira metade (do ano) foi decepcionante”, admitiu Natalie Knight, diretora financeira da Stellantis, atribuindo parte do resultado frustrante ao fato de a Maserati ter descontinuado alguns modelos. No fim de 2023, a marca interrompeu a produção dos sedãs Ghibli e Quattroporte, e no começo de março deste ano tirou de linha o SUV Levante.
Ao mesmo tempo, o desempenho do SUV médio Grecale decepcionou na Europa. Segundo números da Dataforce, o modelo amargou queda de 42% em suas vendas.
Saída pode ser vender marca no futuro
Com tudo isso, Knight sugeriu que a Stellantis poderia se desfazer da marca em um futuro não tão distante.
“Pensamos constantemente em como manter o melhor valor para nossas marcas. Pode haver algum momento no futuro no qual vamos pensar no melhor destino (para a Maserati)”, disse a executiva.
Apesar disso, a fabricante se apressou em dizer que não pretende se livrar da marca de carros esportivos.
“A Stellantis reitera seu comprometimento inabalável com o brilhante futuro da Maserati como a única marca de luxo das 14 marcas do grupo”, declarou a montadora em comunicado.
Atualmente, a linha de modelos da Maserati conta com o Grecale (seu único modelo de volume) e três produtos de nicho: os esportivos GranTurismo, GranCabrio e o superesportivo MC20, disponível nas carrocerias cupê e roadster.
Renovação da linha vai demorar
Para piorar, a Maserati só deve voltar a ter uma linha completa de produtos em 2027. A versão elétrica do MC20 estreia no ano que vem, mas não deverá resultar em vendas substanciais para a marca. No primeiro semestre deste ano, 97 unidades do MC20 foram comercializadas na Europa, pouco diante dos 202 veículos vendidos na região no mesmo período de 2022.
Em janeiro, a Maserati anunciou que lançará um SUV elétrico para substituir o Levante, algo que acontecerá apenas em 2027 – ou seja, dois anos após o planejamento inicial. Além desse atraso, a nova geração do Quattroporte (também elétrico) será outro modelo a desembarcar depois do previsto. Seu lançamento deve ocorrer apenas em 2028, dois anos depois do prometido.
CEO da Stellantis ameaça encerrar marcas
Na última segunda-feira, 29, o CEO da Stellantis, Carlos Tavares, admitiu que a empresa não tem condições de manter marcas que vendem poucos carros.
“Se não fizerem dinheiro, vamos encerrá-las. Não podemos nos dar ao luxo de ter marcas que não registram lucros”, alertou o executivo durante divulgação do balanço da companhia, que registrou seu primeiro resultado negativo em três anos e meio.
Atualmente, a Stellantis controla 14 marcas, só que nem todas entregam os mesmos resultados na indústria automotiva global.
Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën estão no grupo com marcas de destaque, registrando bons volumes na Europa e nas Américas. Em contrapartida, Chrysler, Dodge, Lancia e Maserati não têm o mesmo desempenho de suas “irmãs”.
