
Já estão mais claras as pretensões da Cummins em relação à Meritor, empresa que adquiriu em 2022 por US$ 3,7 bilhões.
Na quarta-feira, 2, a empresa informou que a marca Meritor, que antes identificava os eixos trativos para o mercado OEM de veículos pesados, agora será usada para a oferta de produtos destinados ao mercado de reposição.
Os eixos trativos fornecidos para montadoras de caminhões no país, portanto, passarão a ostentar a marca CDBS, sigla para Cummins Drivetrain and Braking Systems.
LEIA MAIS:
– Cummins-Meritor ganha vida no Brasil com faturamento de R$ 5,5 bilhões
– Cummins anuncia compra da Meritor por US$ 3,7 bilhões
– Cummins conclui aquisição da Meritor, anunciada em fevereiro
A logomarca da Cummins e a cor vermelha adotada pela empresa em sua nova identidade visual, inclusive, já adornam a fábrica que antes pertencia à Meritor em Osasco (SP).
Com a estrutura organizada após a aquisição, a agora CDBS consegue vislumbrar com mais clareza o seu futuro no mercado nacional de eixos para caminhões acima de 9 toneladas, no qual detém uma fatia de 62%.
A ideia é expandir os negócios a partir de agora nesse segmento em cerca de 6%, o que será um desafio, já que o crescimento depende também de seus clientes.
A CDBS tem forte presença em caminhões DAF, Iveco, Volvo e Volkswagen Caminhões. Na Scania, porém, a participação é zero, pois a montadora produz seus próprios eixos. Na Mercedes-Benz, a participação é de 8%.
“O nosso crescimento depende de novos projetos com esses clientes mais consolidados. Paralelamente, buscamos oportunidades em outras frentes”, afirmou o gerente geral Kleber Assanti.
Receitas no mercado de reposição devem crescer 14%
Uma dessas frentes é o mercado de reposição, no qual a empresa espera crescer 14% em faturamento na comparação com 2023, e 5% no comparativo entre 2024 e 2025. Além disso, há espaço para crescer ainda mais.
Nesse segmento, a empresa oferece mais de 3 mil componentes e recentemente adicionou um sistema importado de controle de pneus para implementos rodoviários.
Outra frente são as unidades de novos negócios. Assanti afirmou que a empresa estuda voltar a fornecer eixos trativos para veículos fora de estrada, como máquinas agrícolas e de construção.
Segundo Assanti, o retorno a esse segmento seria possível graças às sinergias criadas pela aquisição da Cummins, que possui uma importante participação nesses dois setores com seus motores.
O segmento de eixos elétricos, conhecidos como e-Axles, também poderia ser uma boa fonte de receita, não fossem as incertezas locais – e globais – que afetam o mercado de caminhões elétricos.
Ainda sobre novos negócios, um eventual aumento da demanda por componentes na fábrica de Osasco, que já opera em três turnos, não seria um problema para a CDBS.
Fornecedores podem ser acionados em pico de demanda
O gerente geral explicou que a empresa conta com uma rede de fornecedores desenvolvidos para dar suporte em momentos de pico de demanda.
“Na maioria dos casos, é mais vantajoso acionar esse fornecedor para atender a uma demanda sazonal do que investir em uma estrutura própria para produzir mais”, explicou o executivo.
Há também a possibilidade de utilizar a capacidade produtiva de outras unidades ex-Meritor instaladas nos Estados Unidos, por exemplo.
Nesse caso, no entanto, há uma certa preocupação, segundo Assanti. Isso porque algumas fábricas já estão com sua capacidade ocupada até pelo menos 2026, devido a um movimento de pré-compra de caminhões que surgirá com a mudança de uma legislação local.
De qualquer forma, a Cummins parece estar mais fortalecida para um novo momento, com uma nova estrutura e metas já definidas.
A empresa deverá apresentar alguma novidade relacionada a essa nova fase na Fenatran, o principal evento de veículos comerciais da região, que ocorrerá em novembro, em São Paulo (SP). Resta aguardar para ver.
